Histórias de uma Curitiba Plural

Linguagem neutra: uma mudança pela empatia

“É bom naturalizar isso (o hábito de perguntar os pronomes da pessoa) porque para mim é algo que preciso fazer o tempo todo”, diz o baixista Vic Vilandez, que é trans e utiliza o pronome ele. Foi Vilandez que conversou com 36 campistas do Rock Camp Curitiba 2022 sobre isso numa oficina que culminou com o preenchimento dos crachás com os respectivos pronomes. “Mas pode colocar um ponto de interrogação e tudo bem, tudo bem ainda não saber”, completa.

A indicação de pronomes e a utilização de linguagem neutra tem a função de acolher e incluir quem não se identifica com o padrão de gênero binário, assim como aqueles que não se identificam com o gênero atribuído no nascimento.

O próprio Rock Camp Curitiba passa este ano por uma mudança para se tornar mais inclusivo, muito embora a participação de pessoas trans e não binárias acontecesse desde a primeira edição. Em 2022, o projeto tirou o “Girls” do nome, mas não descarta outras mudanças, inclusive um possível afastamento do inglês.

No Camp qualquer debate sobre o assunto ganha uma concretude inadiável. Crianças e adolescentes trazem para a semana muitos questionamentos sobre o assunto e a presença de crianças trans ou não binárias é recorrente. Este ano a preocupação da equipe era acolher um menino trans.

Então, muito embora o assunto envolva discussões sobre heranças culturais e papéis sociais históricos, diante de uma criança a questão é simples: como permitir que todas se sintam bem e parte do Camp. Por outro lado, a equipe voluntária reconheceu o desconforto e o incômodo da mudança. Como mudar uma linguagem com a qual estamos acostumados há tanto tempo?

Qualquer desconforto, porém, é infinitamente menor que o de quem lida com a busca de uma identidade. Em espaços como o Camp essa realidade está na consciência coletiva. “As palavras evoluem”, afirma Vilandez, sob aprovação do grupo.

Na prática, porém isso significa lembrar de perguntar o pronome que a pessoa utiliza, evitar de atribuir gênero e, quando errar, não reagir desproporcionalmente. “Quando me perguntam [o pronome] me dá uma alegria”, diz Vilandez.

Quer saber mais sobre o assunto? O Plural e o Rock Camp vão realizar um Space sobre o assunto com Vic Vilandez e a professora Sandra Nodari no próximo dia 19 de janeiro, às 16hs. Será no perfil do Plural no Twitter.

Informações mais técnicas sobre o assunto aqui nesse manual de linguagem neutra.

rocfreitas

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