Melhores HQs de 2019

O blog A Nona Arte convidou diversos apaixonados por quadrinhos para elegerem seus melhores do ano. Juntando as listas (em conjunto com a minha) fizemos um top 10 “médio”, para dizer assim, ou seja, contando a partir de votos segundo escolha de colocações de todos. As disputas foram bastante acirradas e decididas em pequenas posições.

Os participantes da lista foram Ticiano Osório (jornalista do Gaúcha ZH), Érico Assis (tradutor e jornalista), Ricardo Seelig (criador do site Collector’s Room), Laice Cardoso (leitora), Flavia Fernandes (leitora), Lucas Leal (leitor) e eu, Cláudio Gabriel, escritor desse blog. Importante destacar que outros influenciadores e nomes participantes de portais, sites, grupos, canais, entre outros, direcionados a HQs foram chamados, porém nem todos responderam de volta ou puderam atender o pedido.

Antes de iniciar a lista, é interessante destacar que houveram apenas duas regras: só valiam lançamentos do Brasil entre dezembro de 2018 e dezembro de 2019 e relançamentos não contavam. Outra observação é a de Érico, que preferiu não colocar seus trabalhos de tradução na lista. Com isso tudo, seguimos ao top 10:

10º – Virgem Depois dos 30 (Atsuhiko Nakamura e Bargain Sakuraichi)

Lançada ainda em maio pela editora Pipoca e Nanquim, o autor Atsuhiko Nakamura faz um mangá documental sobre os virgens no Japão que já passaram dos 30 anos. Relato bruto, cruel e até deveras bizarro sobre uma situação oriunda dessa sociedade. A HQ, não a toa, foi uma das obras mais comentadas do ano.

9º – Duplo Eu (Navie e Audrey Lainé)

A quadrinista francesa Navie conta uma história autobiográfica sobre sua relação com o própio peso. Na busca de se entender corporalmente, ela faz uma espécie de relato complexo sobre como sentia sendo uma pessoa obesa, suas dificuldades de aceitação na sociedade e diariamente. Um dos trabalhos mais singelos lançados esse ano. A edição é da editora Nemo.

8º – Senhor Milagre (Tom King e Mitch Geralds)

A história de Tom King, que já havia feito extremo sucesso no Brasil e no mundo com sua versão do “Visão”, traz um Senhor Milagre diferente daquele conhecido de sua criação por Jack Kirby nos anos 1970. Dividida em duas edições, a HQ, publicada no Brasil pela editora Panini, traz um protagonista quebrado e muito mais complexo que produções rotineiras da Marvel e DC.

7º – Eu Matei Adolf Hitler (Jason)

Jason realiza um trabalho um tanto quanto curioso. Em um quadrinho que passa de viagem no tempo, entendimento sobre a vida e assassinos de aluguel sendo profissionais comuns no mundo, temos uma produção na qual retrata de forma intrigante o peso do tempo. Seja para ideologias ou para pequenas histórias. Lançamento da editora Mino.

6º – O Homem Sem Talento (Yoshiharu Tsuge)

Yoshiharu Tsuge se transformou em um dos autores mais impactantes dos quadrinhos japoneses. Nessa sua forma conhecida como “quadrinhos do eu” (gênero watakushi), há um relato bastante triste sobre a vida de um homem que parece não ter talento para nada. Na busca de uma forma de sustentação enquanto tem dificuldades com a família, ele se vê sempre invisibilizado por tudo e todos. A edição é da editora Veneta.

5º – Tina: Respeito (Fefê Torquato)

Primeira e única HQ nacional da lista, o trabalho de Fefê Torquato aqui – em um dos lançamentos da Graphic MSP pela editora Panini – retoma o atual momento do movimento #MeToo pelo mundo. Tina não é mais uma personagem secundária, como nas histórias da Turma da Mônica, mas assume um papel de bastante força e personalidade, além de enfrentar o machismo do dia a dia.

4º – Intrusos (Adrian Tomine)

Em uma produção de contos sobre vizinhos e histórias cotidianas, Adrian Tomine busca as histórias sobre pessoas comuns em lugares comuns. Pode até ser algo devidamente desinteressante, mas não é assim que a própria vida é? Por isso, “Intrusos” acaba tornando-se tão interessante. Toda essa relação ainda dá as mãos para a narrativa gráfica potente, em uma obra que só poderia ser lido através da nona arte. O lançamento no Brasil foi pela editora Nemo.

3º – Aurora das Sombras (Fabien Vehlmann e Kerascoët)

É uma história que poderia ser muito mais singela e tranquila, porém os tons sombrios e bizarros a tornam totalmente única. Escrita por Fabien Vehlmann e desenhada pelo casal Marie Pommepuy e Sébastien Cosset, que assina como Kerascoët, vemos uma espécie de novo clássico das HQs de terror. Uma mistura bem profunda de psicodelia, metáforas, crescimento e “Alice no País das Maravilhas”, esse lançamento da editora DarkSide Books vale ouro.

2º – O Relatório de Brodeck (Manu Larcenet)

Adaptação de um romance francês de Philippe Claudel, “O Relatório de Brodeck” é uma história potente. Talvez potente seja até uma palavra pequena para expressar as diversas camadas histórias e de personalidade em um mundo de desilusão após a Segunda Guerra Mundial. A morte dá cheiros e contornos para uma obra praticamente impecável. A edição brasileira é da editora Pipoca e Nanquim.

1º – Gideon Falls (Jeff Lemire e Andrea Sorrentino)

Mesmo tendo começado a ser lançada no Brasil em novembro de 2018, foi nesse 2019 que “Gideon Falls” consolidou-se como uma da grandes HQs do momento. Tendo saído, por enquanto, em três edições pela editora Mino, a história ainda trará muito mais. Em uma mistura de terror e suspense, temos um dos possíveis novos clássicos das produções americanas, trazendo uma narrativa complexa e bastante tensa.

Outros quadrinhos citados: “Black Hammer”, “Spinning”, “Devilman”, “Oblivion Song”, “Tabu”, “Black Science”, “O Preço da Desonra”, “A Canção de Roland”, “Minha Coisa Favorita é Monstro”, “Astolat”, “O Mundo Sombrio de Sabrina”, “Luz que Fenece”, “Os Mitos de Cthulhu”, “Heimat”, “Benzimena”, “Exorcismo: O Ritual Romano”, “Três Buracos”, “Floresta dos Medos”, “Aquele Verão”, “Silvestre”, “Luzes de Niterói”, “Golias”, “Squeak the Mouse”, “Black Monday” e “Sob o Solo”.

E quais seriam seus quadrinhos favoritos do ano?