Trina Robbins e o espaço das mulheres nos quadrinhos

Se tem um nome que é falado sempre que fala sobre quadrinistas é o de Trina Robbins. Uma das percursoras do movimento de mulheres no mundo das HQs, Robbins começou a marcar a trajetória ainda nos anos 50, realizando ficção-científica em diversos zines.

Essa era época também do grande desenvolvimento do rock nos Estados Unidos. E Trina virou amiga de diversos grupos, incluindo o Birds e de simplesmente Jim Morrison, do The Doors.

Em sua curta participação na CCXP Worlds de 2020, no Artists’ Valley, ela conversou um pouco com a quadrinista Germana Viana sobre sua vida e o trabalho com as HQs. Falou, inclusive, que queria Sharon Stone para interpretar em uma possível filme da sua carreira.

Um dos trabalhos principal de Trina – e mais marcantes por diversos motivos – foi realizando a “Barbie”. A personagem, bastante esteriotipada com o público infantil feminino, especialmente nas representações, teve uma grande mudança de figura quando Trina e outras duas mulheres participaram das histórias.

“Nós queríamos criar algo mais do que ‘Barbie vai para o shopping’. Queríamos que as meninas soubessem querer ser a Barbie não apenas pela personagem, mas pelas suas representações”, conta.

Durante boa parte da história das HQs, e algo que reverbera até atualmente, as personagens super sexualizadas sempre fizeram parte de uma mentalidade masculina dos quadrinhos. Robbins sempre combateu esse pensamento, dizendo que era necessário ser diverso.

“Diziam que era impossível fazer algo diferente, pelas mulheres não lerem HQs. Mas eu sempre li quadrinhos e minhas amigas também! Era uma mentira isso”, ela fala.

Junto com um grupo de mulheres quadrinistas, resolveu criar o grupo “friends of lulu”, para tentar representar o clube das mulheres no mundo das HQs.

Trina Robbins, mais do que apenas quadrinista, foi ativista sobre a realidade que as mulheres passaram nesse mundo. Por isso suas palavras são e sempre serão extremamente importantes para compreensão da nona arte.

Claudio Gabriel

Apaixonado por cultura pop no geral. Repórter da rádio CBN e editor-chefe do site Senta Aí.

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