Trabalhadores de Araucária sentem o impacto da desindustrialização da região

Piorou a vida dos trabalhadores da indústria na região de Araucária (PR). Com o corte de investimento, o fechamento da fábrica de fertilizantes e a redução de efetivo na refinaria da estatal, o número de contratos de trabalho reduziu. Só nesse ano, mil trabalhadores diretos e terceirizados foram demitidos e quase 4 mil indiretos perderam seus empregos.

“Muitos de nós já sente a mudança após o fechamento da Fafen e as reduções do quadro de funcionários na refinaria”, essas palavras são de um profissional que atua em obras nas fábricas e indústrias de Araucária e que preferiu não se identificar para não sofrer represálias. Segundo ele, a prestação de serviços era constante na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) e na Fábrica de Fertilizantes do Paraná (Fafen).

Atualmente o desmonte da Petrobrás influencia na qualidade de vida dos moradores no em torno da Repar. “Antigamente tinha várias oportunidades durante o ano, hoje há um monte de mão de obra ociosa aqui nesse lugar. Às vezes, pra conseguir uma vaga de emprego, tem que viajar”.

A alternativa desses profissionais para escapar do desemprego é tentar a sorte longe das suas casas, das suas famílias e de Araucária. O que provavelmente irá ocasionar uma série de prejuízos econômicos e sociais na região, como consequência desse êxodo. “Quem vive das atividades industriais não vê mais obras que mobilizavam aproximadamente mil empregados (diretos ou indiretos), hoje tudo que surge é de maneira reduzida e limitada”, completa.

Números 

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Montagem e Manutenção Industrial do Paraná (Sindimont-PR), na Repar e na Fafen havia intensa rotatividade de mão de obra, o alto índice de homologações era equilibrado com permanentes oportunidades de trabalho.

Para se ter uma ideia da redução dessa rotatividade, em 2017, no Sindimont, para profissionais da Repar e da Fafen foram feitas 1.278 homologações; em 2018 o número caiu para 753 e ano passado somou 343 demissões. Esse índice volta a subir em 2020 como consequência das demissões em massa na Fafen.

“Agora só estão saindo trabalhadores. Só estão mandando embora. Nós estamos brigando para manter a mão de obra local, da nossa região”, explica Ronildo Nogueira Pereira, dirigente do Sindimont. Como a maioria dos contratos são temporários nesse segmento, se diminui o número de homologações, significa que essas fábricas estão contratando menos. 

O processo de sucateamento das unidades da Petrobrás na região de Araucária atinge em cheio os auxiliares e supervisores de serviço gerais ou em almoxarifado, montadores de andaimes, caldeireiros, eletricistas, isoladores, soldadores, pintores, encarregados de andaimes e supervisores. 

Petroleiros

O Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina denuncia esse processo de desmonte permanentemente. Não só pelos impactos na categoria petroleira, mas como entidade que defende a classe trabalhadora. Toda sociedade tem sofrido com a política de desinvestimento praticada pelo governo Bolsonaro. O número de desempregados no Brasil já ultrapassou os 14 milhões!

Especificamente em Araucária, o Sindipetro chama atenção para um dado que reforça essa questão do corte de investimento e sucateamento das unidades da Petrobrás na região. De acordo com a entidade que defende os petroleiros no Paraná e Santa Catarina, o número de empregados próprios diminui 40% de 2017 até agora.  

O presidente do Sindicato, Alexandro Guilherme Jorge, explica que a privatização ou fechamento das unidades da Petrobrás “está acabando com uma cadeia econômica do polo petroquímico, gerando desemprego, falindo empresas dependentes da companhia, deixando de criar vagas de trabalho e reduzindo a renda das famílias que mantém os comércios locais vivos”.

Por Regis Luís Cardoso (Fórum de Defesa da Petrobrás).

Blog Energia

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