Tom Zé na fachada do Museu Nacional abre festival de música e arte digital

O artista digital japonês Daito Manabe e o músico e compositor baiano Tom Zé abrem hoje, às 8 da noite, o Festival Multiplicidade 20_21 – O Que eu Quero Ainda Não Tem Nome, que segue até o dia 24 com a apresentação de 13 artistas nacionais e internacionais no canal do YouTube do Festival Multiplicidade. A seleção reúne representantes do cinema, do vjing, da música, da arte digital, das artes visuais, da vídeo-arte, da performance e do xamanismo.

Fachada do Museu Nacional, no Rio. Foto: Leo Aversa.

A performance de Daito Manabe será seguida por um show especial de Tom Zé: uma projeção na fachada do Museu Nacional do Rio de Janeiro, um dos maiores acervos de memória do Brasil e patrimônio da Humanidade, que pegou fogo em 2018 – após a tragédia, várias negligências administrativas e patrimoniais foram averiguadas. O irresistível e verborrágico baiano de Irará, figura-chave, mas às vezes esquecida da Tropicália, apresenta músicas de seus cultuados discos “Todos Os Olhos” (1973), “Estudando o Samba” (1976) e “Correio da Estação do Brás” (1978), além de uma canção composta especialmente para o Multiplicidades, chamada “Clarice Clariô” – em homenagem à escritora Clarice Lispector (1920-1977).

Daito Manabe, um dos artistas contemporâneos mais interessantes e influentes, tem carreira consolidada na música eletrônica, e bate carteirinha em festivais como Sónar (Barcelona) e Ars Electronica (Áustria). Artista, programador, designer e DJ, foi ele o responsável pela direção de arte interativa da apresentação do Japão na festa de encerramento das Olimpíadas do Rio, em 2016, quando fez o ex-premiê do país, Shinzo Abe, vestir-se de Super Mario. Na abertura do evento, Daito apresenta “Morphecore”, trabalho que investiga as fronteiras entre arte e ciência.

O artista visual e curador do festival, Batman Zavareze, conta que a ideia de projetar a apresentação de Tom Zé num espaço que representa a arte, a educação, a ciência e a história é, virtualmente, jogar luz sobre o museu e, ao mesmo tempo, celebrar a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), gestora do espaço, que completa 100 anos de fundação. “Vamos promover uma nova campanha de arrecadação para a reconstrução do Museu Nacional”, diz Zavareze.

Ana Frango Elétrico é cantora, compositora, pintora e poeta carioca.

Nos dias 22 e 23, artistas como Ana Frango Elétrico (RJ), Uyra Sodoma (AM), Dillon Bastan (EUA) e Genesis Victoria (CHI) completam a programação (veja line-up completo abaixo).

O encerramento, no dia 24, será com a apresentação única do artista japonês Ryoji Ikeda, também referência na arte digital, que traz o premiado “Data-verse 1”, uma instalação exposta na última Bienal de Veneza (2019). O último dia do festival, segundo a organização, vai ter ênfase no recomeço e em nossas essências, englobando futuros, resistência, sobrevivência e “tudo mais que ainda não tem nome”.

Festival Multiplicidade 20_21 – O Que eu Quero Ainda Não Tem Nome:

Quinta, 21 de janeiro, às 20h

– Daito Manabe (JAP)

– Tom Zé (BA) com mapping do Museu Nacional (RJ)

Sexta, 22 de janeiro, às 20h

– Uyra Sodoma (AM)

– HEXORCISMOS AKA Moisés Horta Valenzuela (MEX)

– Dillon Bastan (EUA)

– Tornike Margvelashvili AKA Mess Montage (GEO)

– Renato Vallone (RJ)

– Carlos do Complexo (RJ)

– Novíssimo Edgar (SP)

Sábado, 23 de janeiro, às 20h

– Hyewon Suk (COR)

– Genesis Victoria (CHI)

– Bianca Turner (SP)

– Ana Frango Elétrico + Fernanda Massotti (RJ)

– Cashu & Mari Herzer (SP)

– L_cio (SP)

Domingo, 24 de janeiro, às 17h

– Ryoji Ikeda (JAP)

* Transmissões nos dias 21, 22, 23/1 no canal do Youtube do Festival Multiplicidade

*Dia 24/1, especialmente às 17h

Cristiano Castilho

Cristiano Castilho é jornalista formado pela UFPR e pós-graduado em Jornalismo Literário pela ABJL. É autor do livro "Crônicas da Cidade Inventada e Outras Pequenas Histórias" (Arte & Letra).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Voltar ao topo