PIANTELLA NO MORE (se a Lava-Jato tivesse um roteirista um pouco melhor)

Lá pelo fim de 2016, Moro chama todos os delatores para uma audiência conjunta e diz o seguinte:

– Os senhores se comportaram muito bem. O instituto da colaboração premiada funcionou perfeitamente, as engrenagens corrompidas do estado foram expostas, a sociedade sente-se depurada. Então é chegada a hora da conclusão do processo. A minha parte está terminada. O desfecho, entretanto, será dado por uma autoridade superior.

(Nesse instante, começam a se movimentar roldanas nos dois extremos da sala, e vai descendo do céu, numa espécie de trono, Castor de Andrade cercado de mulatas)

– Passo a palavra ao Dr Castor de Andrade, que proferirá a sentença.

(Moro sai da sala)

Castor de Andrade pigarreia, olha no fundo dos olhos de cada um dos delatores, e anuncia:

– Cambada de X9. Não aguentam duas semanas de pressão sem borrar a fraldinha? Delação premiada era só pra amolecer o bico de vocês, seus cu frouxo. Agora vão tudo passar uma temporada num spa lá no morro do Borel, junto com a galera que vocês cagüetaram

Enquanto os delatores estrebucham pelo chão, Castor de Andrade e as mulatas saem da sala

(BG vai subindo com É Bom para o Moral, da Rita Cadillac. Desce o pano)

Maurício Popija

O inventor do pas de deux solo. Nas horas vagas, cultiva pequenas plantas e desafetos.

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