EM HOMENAGEM AO FIM DO COMENDADOR ou: O AMOR EM CURITIBA É ABAIXO DE ZERO

No início dos 90, João, Marcela, Bruna e Pedro resolveram ir a um boteco minúsculo encravado ali numa curva da Mateus Leme.

Naquela noite, violão e voz, um certo Alexandre Nero apresentava o seu guisadinho de música popular brasileira.

Bruna era indiferente ao teingodeingodeingo das cordas, mas tinha grudado nas melenas de João o olho rútilo da lascívia.

João e Pedro abominavam MPB, nunca tinham ouvido falar em Alexandre Nero, mas seus corações adernavam forte para o lado de Marcela – e todos sabem que homens em estado de amor toleram tudo, até MPB.

Marcela adorava Chico Buarque, não tinha qualquer interesse pelos dois desgraçados com quem dividia a mesa, e estava determinada a arrancar um naco da carne do menestrel de Curitiba.

Sinopse do congelamento

Bruna espalhou que João era gay.
Marcela xingou Alexandre Nero de nomes terríveis.
Alexandre Nero disse que era apenas tímido.
João e Pedro foram pro Dolores Nervosa e beberam até cair.

Maurício Popija

O inventor do pas de deux solo. Nas horas vagas, cultiva pequenas plantas e desafetos.

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