Bienal de Quadrinhos 2020 terá Arrigo Barnabé e Lourenço Mutarelli

“Música” é o tema da edição de 2020 da Bienal de Quadrinhos de Curitiba. A sexta edição do evento – um dos mais democráticos e agregadores da terrinha – acontece novamente no MuMA – Museu Municipal de Arte, no Portão Cultural, em Curitiba, entre os dias 6 e 9 de agosto de 2020.

A curadoria é do compositor e artista multimídia Vadeco; do pintor, quadrinista e ilustrador Fabio Zimbres; e de Mitie Taketani, proprietária da loja Itiban Comic Shop, reduto incentivador da nona arte em Curitiba há 30 anos. A música será o fio condutor dos debates, exposições, oficinas, festas, sessões de cinema, e da tradicional feira de quadrinhos do evento, totalmente gratuito, que novamente acontece em toda a área interna e externa do MuMA.

Alguns convidados já foram confirmados, como Arrigo Barnabé, Lourenço Mutarelli, Paula Puiupo e o italiano Tanino Liberatore. Se ligue aí:

Arrigo Barnabé
Músico, compositor, arranjador, escritor e ator, nasceu em Londrina (PR) em 1951. Logo com sua primeira obra, o disco “Clara Crocodilo” (1980), Arrigo foi recebido como a maior novidade musical do Brasil desde a Tropicália. Isso porque, em suas composições, há uma mistura azeitada de música erudita, ironia e letras ácidas sobre a vida urbana. A aproximação com o dodecafonismo também o destacou como um compositor único, provocador e vanguardista.

A obra de Arrigo Barnabé transita entre o inusitado, o erudito,o pop e o provocativo de maneira criativa e acessível. Delírio e compaixão andam de mãos dadas. Arrigo soa como o encontro entre John Cage e Frank Zappa, e nos faz acreditar na composição musical como forma natural de expressão sonora e visual.

Arrigo Barnabé. Foto: Divulgação

Arrigo escreveu diversas músicas para trilhas de filmes brasileiros, teve influência e participação em grupos e artistas como Itamar Assumpção, Rumo, Premeditando o Breque e Língua de Trapo, parte da turma que ficou conhecida como Vanguarda Paulista. Em 2019, Arrigo lançou seu primeiro livro, “No Fim da Infância” (Grafatório Edições).

Lourenço Mutarelli
Quadrinista, escritor e ator nascido em São Paulo, formado em Belas Artes. Um dos mais celebrados autores de quadrinhos do Brasil construiu um universo particular que lhe trouxe muitos seguidores. Seus primeiros trabalhos foram publicados por Marcatti nos anos 80. Em 1991, lançou seu primeiro álbum, “Transubstanciação”. A partir daí, produziu diversos álbuns, incluindo a trilogia com o detetive Diomedes: “O Dobro de Cinco”, “O Rei do Ponto” e “A Soma de Tudo I e II”. 

Em 2002 lançou seu primeiro romance, “O Cheiro do Ralo”, adaptado para o cinema em 2006. Teve mais dois livros adaptados para a sétima arte. Seu mais recente, “O Filho Mais Velho de Deus e/ou Livro IV”, foi lançado em 2018. Paralelamente, escreveu peças de teatro, trabalhou como ator e começou a pintar.

Lourenço Mutarelli. Foto: Adriano Vizoni/Folhapress

Ele já afirmou: “música é a minha religião”, e que esta arte também faz parte do seu processo de criação. Em 2019, Mutarelli lançou “Capa Preta” (Comixzone), que reúne as HQs “Transubstanciação”, “Desgraçados”, “Eu Te Amo, Lucimar” e “Confluência da Forquilha”, todas fora de catálogo no Brasil.

Tanino Liberatore
Desenhista italiano nascido na cidade de Quadri, estudou arquitetura e se dedicou à ilustração. Começou sua carreira nos quadrinhos em 1978, na revista Cannibale, na companhia de Andrea Pazienza e Stefano Tamburini. Foi por lá que desenhou a primeira versão de “RanXerox” (RankXerox), trabalho que ficou mais conhecido a partir de sua publicação na revista Frigidaire, e posteriormente em várias publicações no mundo  – no Brasil, saiu na revista Animal.

Tanino Liberatore. Foto: Divulgação

O álbum “Video-Clips” (1984) recolhe algumas de suas histórias curtas realizadas entre 1981, quando se mudou para Paris, e 1984, publicadas em diversas revistas. A partir daí, Liberatore se afastou dos quadrinhos e se dedicou principalmente a ilustrações, voltando eventualmente ao personagem RanXerox e a outros projetos. É muito conhecida a capa do disco “The Man from Utopia” (1982), de Frank Zappa. Mas além deste trabalho ele realizou outras ilustrações para discos, e cita a música como grande influenciadora do seu trabalho.

Luiz Gê
Artista homenageado desta edição, Luiz Gê foi um dos fundadores da revista Balão (1972-75), periódico que publicou quadrinhos de alunos da FAU e ECA na USP. Seu trabalho explora a linguagem dos quadrinhos em narrativas que misturam aventura, história, política e humor, em diálogo com seu interesse pelas cidades e arquitetura. Entre 1976 e 1984, fez charges para o jornal Folha de S. Paulo reunidas no livro “Macambúzios e Sorumbáticos” (1981). Em 1986, criou e editou a revista Circo na mesma época em que, nas bancas, saíram as revistas de seus colegas de geração, Angeli (“Chiclete com Banana”) e Laerte (“Os Piratas do Tietê”), publicações que ajudaram a formar toda uma geração de leitores e cartunistas.

Seus quadrinhos foram publicados em diversos veículos no Brasil e no exterior e vários álbuns recolheram esse material, como “Quadrinhos em Fúria” (1984) e “Território de Bravos” (1993).

Luiz Gê e os Tubarões Voadores.

A primeira parceria com Arrigo Barnabé foi a arte para a capa do disco “Clara Crocodilo” (1980) e o próprio LP revela uma afinidade com situações extraídas de histórias em quadrinhos, além do interesse pelo ambiente urbano típico do trabalho de Luis Gê. Outra parceria se deu com a história “Tubarões Voadores”, que acabou virando o segundo disco de Arrigo, em 1984. Nele, a história original foi impressa e recebeu uma música que seguia a narrativa e o tempo de leitura de cada quadrinho. Gê também fez a concepção para uma opereta de Arrigo, chamada “O Homem dos Crocodilos”.

Paula Puiupo
Nasceu em 1996 em Lisboa, de mãe paraibana e pai manauara. Atualmente reside em São Paulo. Paula produz quadrinhos, animação, tatua e flerta com a música. Uma das principais autoras da nova geração, tem um trabalho surpreendente, em que desfaz todas as regras narrativas para criar a sua própria – é mais menos como criar nossa vida ao mesmo tempo em que a vivemos. Sua pesquisa tem foco no experimental, em sentimentos de não pertencimento enquanto mulher lésbica e migrante.

Paula Puiupo. Foto: Divulgação

Publicou, entre outros títulos, “Eremitério” (2017), “Gume” (2018) e “Maunder” (2019, parte da coleção mini kuš). Participou da antologia “Topografias” (Selo Piqui, 2016). Fez ilustrações para “A Ilha do Tesouro” (Editora Antofágica, 2019). Faz parte do selo de publicações independentes PEPITO CORP ao lado de Adônis Pantazopoulos, Julia Balthazar e Flavushh. Aperta botões no projeto musical FUGA ao lado de Paola Rodrigues.

Grazi Fonseca
Quadrinista, vive em Porto Alegre. Começou a produzir fanzines em 2016: “Hay”, “Mar”, “Tempo, Passatempo” são seus zines independentes. Em 2018, publicou “Partir” (coleção Des.Gráfica/Mis), finalista do prêmio Dente de Ouro 2019.

Grazi Fonseca. Foto: Divulgação

Em 2019, participou da revista “Retruco” (independente) e da antologia “Cápsula” (O Quiabo 2019). Seu trabalho explora narrativas experimentais e autobiográficas. Com atenção particular ao ritmo e construídas com poucos elementos, suas histórias ganham dimensão quase abstrata que as aproximam da música. Etérea como o som e gráficas como uma partitura com o preto sólido ocupando lugar protagonista.

Ing Lee
Quadrinista e pesquisadora nascida em Belo Horizonte, graduada em Artes Visuais pela UFMG. Possui deficiência auditiva moderada bilateral, é filha de pai norte-coreano e mãe brasileira. É atuante no cenário de publicações independentes desde 2016 e faz quadrinhos desde 2018.

Co-fundou O Quiabo, selo de publicações independentes e eixo de experimentação gráfica (com Larissa Kamei). Autora de Karaokê Box, elaborado a partir de suas experiências com Karaokê.

Ing Lee. Foto: Divulgação

Uma das autoras da revista Sam Taegeuk (finalista do prêmio Dente de Ouro 2019 na categoria Quadrinhos). Tem influências do cinema do leste-asiático, com enfoque em Novo Cinema de Taiwan, Wong Kar-Wai, Bong Joon-Ho e Naomi Kawase. Em seus trabalhos, propõe-se a trazer questões envolvendo memória, identidade e a melancolia urbana.

João Sánchez
Formado em gravura pela Escola de Belas Artes da UFRJ, trabalhou em Madri de 2007 a 2011 em dois importantes ateliês de gravura da Espanha: Benveniste CP&P, conhecido por suas impressões de grande formato, e Taller Antonio Gayo, especializado em litografia.

João Sánchez. Foto: Divulgação

Criador do conhecido Estúdio Baren (Rio de Janeiro), ativo desde 2011, mantém paralelamente uma carreira em ilustração e artes gráficas. Em sua única incursão pelos quadrinhos, produziu com roteiros de Patati o álbum “Couro de Gato, Uma História do Samba” (2017). Com xilogravuras e desenhos derivados desta técnica, o álbum conta histórias relacionadas ao nascimento do gênero musical tipicamente brasileiro. Patati era roteirista e estudioso dos quadrinhos e um defensor do uso de temas brasileiros nas HQs. Faleceu no Rio de Janeiro em junho de 2018.

BIENAL DE QUADRINHOS DE CURITIBA
6 a 9 de agosto de 2020
MuMA – Museu Municipal de Arte (Portão Cultural)
Avenida República Argentina, 3430
Gratuito
Mais informações: www.bienaldequadrinhos.com.br

Bixiga 70 na praça: Curitiba Jazz Festival acontece neste fim de semana

A quarta edição do Curitiba Jazz Festival acontece gratuitamente nos dias 14 e 15 de dezembro (sábado e domingo) na Praça Afonso Botelho (Praça do Atlético). Serão artistas de diferentes vertentes da música brasileira, do choro ao jazz, do blues ao samba-rock, além de feira de vinil com 35 expositores, bazar de economia criativa, espaço kids e praça gastronômica.

No sábado (14), a partir das 11h, sobem ao palco Julião Boêmio, reconhecido cavaquinista e um dos nomes mais importantes do choro contemporâneo curitibano; o Lendário Chucrobillyman, projeto “one-man-band” do multi-instrumentista Klaus Koti; a banda paulista Bixiga 70, expoente da cena instrumental, que combina a música brasileira e latina com o afrobeat; a cantora Iria Braga, que retorna aos palcos de Curitiba após turnê na Argentina, na companhia do Cariguá Trio; e o percussionista Airto Moreira e a cantora Flora Purim. Airto e Flora serão acompanhados de Matheus Silva (bateria), Thiago Duarte (contrabaixo), Jeff Sabbag (piano), Emmanuel Bach (guitarra) e Helinho Brandão (saxofone).

Aos 78 anos, Airto segue sua trajetória como um dos mais importantes instrumentistas do mundo. Sua sonoridade genuinamente brasileira encontrou no jazz a melhor forma de expressão. O cantor e percussionista tocou ao lado de Miles Davis, Dizzy Gillespie, Chick Corea, Herbie Hancock, Paul Simon e Quincy Jones. Neste ano, lançou o disco “Aluê” (Selo Sesc), ao lado da esposa, a cantora Flora Purim. O disco foi gravado com músicos brasileiros em uma sessão ao vivo e contínua, bem ao seu estilo. Entre as atrações, o som fica por conta do projeto Petróleo, dos Djs Marky e Eduardo Brechó (fundador da banda Alafia).

Bixiga 70 divulga o disco “Quebra-Cabeça”

Quem começa os trabalhos no domingo (15), é a Orquestra de Harmônicas de Curitiba, grupo formado em 1979 que recria clássicos da música brasileira e internacional tendo como base a gaita de boca (harmônica); na sequência, é a vez do renomado Mano a Mano Trio, formado pelos bambas Glauco Sölter (contrabaixo), Sérgio Albach (clarinete) e Vina Lacerda (percussão); a programação segue com a flautista e arranjadora paulista Léa Freire, parceira de Joyce e de Jean Garfunkel. Ela se apresenta ao lado de Davi Sartori (piano), Denis Mariano (bateria) e Joel Muller (baixo). A programação segue com a black music antenada da paranaense Rubia Divino; por fim, a apresentação de João Triska na companhia da explosiva da banda Machete Bomb, com seu samba-rock-rap com direito a “cavaquinho distorcido”, encerra as apresentações do palco principal do Curitiba Jazz Festival 2019. O som durante as atrações fica a cargo do Funk You, projeto dos DJs Murillo Mongello e Schasko.

Airto Moreira

Comida, diversão e arte
Além dos shows na Praça do Atlético, o Curitiba Jazz Festival oferece feira de vinil com 35 expositores de diversos estados do país, um bazar de economia criativa com produtos de artistas locais, espaço kids para a diversão de crianças e uma praça gastronômica com 12 opções de lanches e refeições. O patrocínio é da Eisenbahn, e chopes da marca a preços promocionais estarão sendo vendidos até às 15h, nos dois dias de evento. Em sintonia com a sustentabilidade urgente, todos os copos serão no estilo “eco”, reutilizáveis – leve o seu! O Curitiba Jazz Festival também conta com segurança particular, tendas e áreas cobertas para proteção contra chuva e sol.

Esquenta
Uma festa de abertura do Curitiba Jazz Festival acontece a partir das 21h de sexta-feira (13), com as bandas Mumbai Express, Los Desterros (Florianópolis) e com o DJ Tha Redig. Soul, funk, samba-rock, latinindades e outras aventuras musicais estão no cardápio. No Basement Cultural – Rua Benvindo Valente, 260.

PROGRAMAÇÃO

SÁBADO (14/12)
Julião Boêmio 11h
O Lendário Chucrobillyman 13h
Bixiga 70 15h
Iria Braga & Cariguá Trio 17h
Airto Moreira e Flora Purim 19h
+Petróleo (DJs Marky e Eduardo Brechó)

DOMINGO (15/12)
Orquestra de Harmônicas de Curitiba 11h
Mano a Mano Trio 13h
Léa Freire 15h
Rubia Divino 17h
Machete Bomb & João Triska 19h
+ Funk You (DJs Murillo Mongello e Schasko)

SERVIÇO
Curitiba Jazz Festival
13 de dezembro de 2019, a partir das 21h (Basement Cultural)
14 e 15 de dezembro de 2019, a partir das 10h
Praça Afonso Botelho (Praça do Atlético)
Gratuito

Curitiba Jazz Festival confirma Airto Moreira e banda Bixiga 70

O Curitiba Jazz Festival confirmou as atrações de sua quarta edição, que acontece gratuitamente nos dias 14 e 15 de dezembro na Praça Afonso Botelho (Praça do Atlético), e em festas no Basement Cultural e no Jokers. Serão 20 artistas de diferentes vertentes da música brasileira, do choro ao jazz, do blues ao samba-rock.

Bixiga 70. Foto: Divulgação

No sábado (14), a partir das 10h, sobem ao palco O Lendário Chucrobillyman, projeto do “one man band” Klaus Koti; Julião Boêmio, reconhecido cavaquinista e um dos nomes mais importantes do choro contemporâneo; a banda paulista Bixiga 70, expoente da cena instrumental, que combina a música brasileira e latina com o afrobeat; a cantora Iria Braga, que retorna aos palcos de Curitiba após turnê na Argentina, na companhia do Cariguá Trio; e, fechando a programação de sábado, a lenda da percussão Airto Moreira e a cantora Flora Purim.

Aos 78 anos, Airto segue sua trajetória como um dos mais importantes instrumentistas do mundo. Sua sonoridade genuinamente brasileira encontrou no jazz a melhor forma de expressão. O cantor e percussionista tocou ao lado de Miles Davis, Dizzy Gillespie, Chick Corea, Herbie Hancock, Paul Simon e Quincy Jones. Neste ano, lançou o disco “Aluê” (Selo Sesc), ao lado da esposa, a cantora Flora Purim. O disco foi gravado com músicos brasileiros em uma sessão ao vivo e contínua, bem ao seu estilo.

Airto Moreira. Crédito: Renato Luiz Ferreira

Quem começa os trabalhos no domingo (15), é a Orquestra de Harmônicas de Curitiba, grupo formado em 1979 que recria clássicos da música brasileira e internacional tendo como base a gaita de boca (harmônica); na sequência, é a vez do renomado Mano a Mano Trio, formado pelos bambas Glauco Sölter (contrabaixo), Sérgio Albach (clarinete) e Vina Lacerda (percussão). A programação segue com a flautista e arranjadora paulista Léa Freire, parceira de Joyce e de Jean Garfunkel e com a black music antenada da paranaense Rubia Divino. Por fim, a apresentação explosiva de João Triska na companhia da Machete Bomb, com seu samba-rock-rap com direito a “cavaquinho distorcido”, encerra as apresentações do palco principal do Curitiba Jazz Festival 2019.

Extras
Além dos shows na Praça do Atlético, outras duas festas complementam a programação musical do Curitiba Jazz Festival 2019: uma pré-evento na sexta-feira (13), no Basement Cultural, com as bandas curitibana Plata o Plomo, a catarinense Los Desterros e mais uma atração a confrirmar. E outra no sábado (14), no Jokers, com uma jam session comandada por Helinho Brandão, Mário Conde e Davi Sartori. Os ingressos (limitados) estarão à venda n’A Caiçara (R. Dr. Claudino dos Santos, 90, Largo da Ordem) e no Expresso Curitiba Hostel e Coffee Bar (R. Alfredo Bufren, 323, Centro).

Assim como nos anos anteriores, a quarta edição do Curitiba Jazz Festival irá oferecer também exposições de vinis, feira gastronômica (com chopes e drinques) e espaço para crianças.

PROGRAMAÇÃO
Sábado (14/12)
O Lendário Chucrobillyman
Julião Boêmio
Bixiga 70
Iria Braga
Airto Moreira e Flora Purim

Domingo (15/12)
Orquestra de Harmônicas de Curitiba
Mano a Mano Trio
Léa Freire
Rubia Divino
Machete Bomb

SERVIÇO
Curitiba Jazz Festival
14 e 15 de dezembro de 2019, a partir das 10h
Praça Afonso Botelho (Praça do Atlético)
Gratuito

Psicodália é suspenso após 18 anos; novo festival acontece em reserva ecológica

Depois de 18 anos desde sua estreia, e de 22 edições ininterruptas, o Festival Multicultural Psicodália não irá acontecer em 2020. O evento, gigante da cena independente que se tornou tradição no carnaval, com atrações musicais nacionais, internacionais, oficinas, cinema e um clima de cordialidade quase inacreditável, passará por uma “remodelação”, e está interrompido.

Foto: Rodrigo Della Fávera

Os motivos passam pelo esgotamento físico do espaço – a Fazenda Evaristo, em Rio Negrinho (SC) – e por decisões judiciais recentes que vão contra a essência do evento. “Em 2017 tivemos nosso maior público, 7 mil pessoas. Chegamos ao limite da Fazenda [Evaristo]. Em 2019 tivemos dificuldade na liberação de alvarás, e a proibição da participação de crianças, mesmo acompanhadas. O momento difícil da economia também conta”, diz Alexandre Osiecki, criador do Psicodália.

No dia 25 de outubro de 2018, a juíza de direito da Vara da Infância e da Juventude da cidade de Rio Negrinho, Fabrícia Alcantara Mondin, publicou a portaria 91/2018, decretando: “Fica proibida, na comarca de Rio Negrinho, a entrada e a permanência de crianças e adolescentes em casas de diversão, danceterias, promoções dançantes, festas pagas e congêneres, sob pena de responsabilização administrativa, civil e criminal dos proprietários dos estabelecimentos comerciais e organizadores do evento, de acordo com as disposições da legislação vigente”.

Foto: Beto Ambrósio

O público da edição deste ano foi de 4,2 mil pessoas, quase a metade da registrada no ano anterior. “Muitas famílias deixaram de ir. Não só crianças, mas pessoas mais velhas interromperam uma tradição de anos por causa disso”, diz Osiecki. “Em seis dias, o Psicodália movimentava o equivalente a um mês da economia de Rio Negrinho”.

Há chance de um evento similar ao Psicodália acontecer no carnaval de 2020, mas com outro nome e em outro formato. O local ainda não foi decidido. Para 2021, Alexandre estuda o retorno do festival, que por ora está “de férias”.

Libélula

Nos moldes do Psicodália, embora com menor estrutura, Alexandre criou o Festival Libélula, que acontece na Reserva Ecológica Terraiz Castelhanos, chácara na Colônia Castelhanos, em São José dos Pinhais, a 81km de Curitiba. O evento acontece entre os dias 27 de dezembro de 2019 e 1º de janeiro de 2020.

Cartaz do Festival Libélula, por Diego Perin

Serão cerca de 20 atrações (a serem anunciadas) “no estilo Psicodália” em dois palcos: um com funcionamento das 16h às 22h, e outro, acústico, aberto durante a madrugada. Este, em especial, servirá de espaço para artistas de rua, repreendidos recentemente por apresentarem seu trabalho em espaços públicos. Haverá estrutura para camping, banheiros, duchas, restaurantes e bares. Em meio à Serra do Mar, a reserva tem rios de pedra e de argila medicinal, cachoeira e trilhas. O Libélula também vai trabalhar com produtos orgânicos ofertados por produtores da região.

O ingresso custará R$200 para todos os dias de evento, e as vendas começam no dia 7 de outubro pelo site diskingressos. A expectativa de público da primeira edição do Libélula é de 700 pessoas, incluindo artistas e equipe.

“Como dançar uma revolução”
Em 2016, “cobri” o Psicodália para o portal Scream & Yell. O relato está aqui.

Mulamba estreia clipe na Ocupação 29 de Março, incendiada em 2018

A banda curitibana Mulamba continua sua importante trajetória musical e social e faz pré-estreia do clipe da música “Vila Vintém” na Ocupação 29 de Março, na Cidade Industrial de Curitiba, no próximo sábado (31) a partir das 4 da tarde. Um pocket show da banda, da cantora Janine Mathias, e uma discotecagem com Carmen Agulham também estão programados. A entrada é 1kg de alimento não perecível.

Na madrugada do dia 7 de dezembro de 2018, mais de 200 moradias da Ocupação 29 de Março foram destruídas por um incêndio. Moradores alegam que o ato foi criminoso, em represália ao assassinato do policial militar Erick Nório, de 28 anos. A comunidade fica próxima da Vila Corbélia e compõe um complexo de moradias populares formado por quatro ocupações: Nova Primavera, criada em 2012; 29 de Março e Tiradentes, que surgiram em 2015; e a mais recente, Dona Cida, criada em 2016. A estimativa é de que mais de 1.500 famílias vivam no complexo.

Mulamba. Foto: Luciana Petrelli

“Durante a gravação, as pessoas da comunidade quiseram ajudar, os grafites foram feitos pelos artistas de lá. Existe uma verdade no clipe, que não é nosso lugar de fala, mas a gente quer dar esse espaço”, explica Caro Pisco, baterista da banda. “Eles são muito organizados e têm um espaço de shows, onde vamos conseguir movimentar toda a economia local com a venda de bebidas e comida. Da nossa forma mais humilde, gostaríamos de chamar atenção não só para a 29 de Março como para todas as outras comunidades periféricas que precisam que alguém olhe por eles, para que haja respeito por parte do Estado e mínima infraestrutura”.

O clipe, com direção da Órbita Filmes, retrata a realidade de quem vive nas comunidades periféricas. Elidieu, personagem principal, é da vida real: haitiano refugiado que construiu a sua casa própria sozinho, depois que a comunidade pegou fogo no fim do ano passado. A Vila Vintém, favela situada no Rio de Janeiro, inspira a música-título.

SERVIÇO
Pré-Estreia De “Vila Vintém”
Ocupação 29 De Março
31 de agosto (sábado), a partir das 16h
Endereço: Estrada Velha do Barigui 3.239 – Referência: Fábrica da Toshiba
Pocket show com Mulamba, Janine Mathias e microfone aberto
Discotecagem: Carmen Agulham
Entrada: 1kg de alimento
Evento: https://www.facebook.com/events/404375933538331/

Filme curitibano vencedor do Festival de Gramado está em mostra no Cine Passeio

Pelo segundo ano seguido, o Paraná conquista um dos prêmios máximos do Festival de Gramado, que anunciou os vencedores no último sábado (24). Em 2018, “Ferrugem”, de Aly Muritiba, conquistou o troféu de Melhor Filme de longa-metragem. Nesta edição, foi a vez de “Apneia”, de Carol Sakura e Walkir Fernandes, vencer o Kikito de Melhor Curta-Metragem.

Aproveitando o bom momento da produção local, apesar de tudo e de todos, o Cine Passeio organiza, de 29 de agosto a 11 de setembro, a Mostra Curitiba de Cinema. Estarão em exibição 9 longas-metragens e 12 curtas rodados em Curitiba, ou que contam histórias curitibanas. Entre eles, o intrigante documentário “Ovos de Dinossauro na Sala de Estar”, de Rafael Urban, “Corpos Celestes”, de Fernando Severo e Marcos Jorge, e “Apneia”, vencedor do prêmio de Melhor Curta-metragem no Festival de Gramado neste ano.

Equipe de “Apneia”, vencedor do prêmio de Melhor Curta-metragem do Festival de Gramado.

A abertura acontece às 7 da noite da próxima quinta-feira, com um bate-papo com Sylvio Back sobre o tema “Filmar em Curitiba” e exibição de “Caro Signore Fellini”, filme de Back de 1979. Todas as sessões têm entrada gratuita. Veja a programação da primeira semana:

29/08 (quinta-feira)
19h – Cine Luz
Bate-papo: “Filmar em Curitiba”, com Sylvio Back

20h30 – Cine Luz
CARO SIGNORE FELLINI” (1979)
Direção: Valêncio Xavier – Classificação: 10 anos
Duração: 11 min – Gênero: Documentário

“LANCE MAIOR” (1968)
Direção: Sylvio Back
Elenco: Reginaldo Faria, Regina Duarte, Irene Stefânia
Classificação: Livre – Duração: 1h40min – Gênero: Drama

30/08 (sexta-feira)
20h30 – Cine Luz

“DO TEMPO QUE EU COMIA PIPOCA (2001)”
Direção: Catherine Agniez e Heloísa Passos
Elenco: Guta Stresser, Maria Clara Fernandes, Rodrigo Ferrarini
Classificação: Livre – Duração: 19 min – Gênero: Drama

“OVOS DE DINOSSAURO NA SALA DE ESTAR (2011)”
Direção: Rafael Urban – Classificação: Livre
Duração: 13 min – Gênero: Documentário

“CORPOS CELESTES” (2011)
Direção: Fernando Severo e Marcos Jorge
Elenco: Dalton Vigh, Alexandre Nero, Carolina Holanda
Classificação: 14 anos – Duração: 1h31min – Gênero: Drama/Romance

31/08 (sábado)
20h30 – Cine Luz

“FABULÁRIO GERAL DE UM DELÍRIO CURITIBANO” (2007)
Direção: Juliana Sanson
Elenco: Patrícia Saravy, Andréia de Souza, Vinicius Mazzon
Classificação: Livre – Duração: 16 min – Gênero: Comédia dramática

“CURITIBA: A MAIOR E MELHOR CIDADE DO MUNDO”
Direção: William Biagioli – Classificação: Livre
Duração: 12 min – Gênero: Comédia documental

“CIRCULAR”
Direção: Adriano Esturilho, Aly Muritiba, Bruno de Oliveira, Diogo Florentino e Fábio Alton
Elenco: Letícia Sabatella, César Troncoso, Luiz Bertazzo
Classificação: 12 anos – Duração: 1h34min – Gênero: Drama

01/09 (domingo)
20h30 – Cine Luz

“MEDO DE SANGUE”
Direção: Luciano Coelho
Elenco: Rejane Arruda, Alvaro Garutti
Classificação: 14 anos – Duração: 20 min – Gênero: Drama

“APNEIA”
Direção: Carol Sakura e Walkir Fernandes
Classificação: Livre – Duração: 14 min – Gênero: Animação

“MYSTÉRIOS”
Direção: Beto Carminatti & Pedro Merege
Elenco: Leonardo Miggiorin, Sthefany Brito, Carlos Vereza
Classificação: 14 anos – Duração: 1h22min – Gênero: Drama/Thriller

03/09 (terça-feira)
20h30 – Cine Luz

“EM BUSCA DE CURITIBA PERDIDA”
Direção: Estevan Silvera – Classificação: Livre
Duração: 14 min – Gênero: Documentário

“CURITIBA ZERO GRAU”
Direção: Eloi Pires Ferreira
Elenco: Jackson Antunes, Diego Kozievitch, Rodrigo Ferrarini
Classificação: 12 anos – Duração: 1h45min – Gênero: Drama

04/09 (quarta-feira)
20h30 – Cine Luz

“INFINITAMENTE MAIO”
Direção: Marcos Jorge e Cacau Rhoden
Elenco: Simone Spoladore, Jerusa Franco, Renato Rabello
Classificação: 16 anos – Duração: 19 min – Gênero: Drama

“PARA MINHA AMADA MORTA”
Direção: Aly Muritiba
Elenco: Fernando Alves Pinto, Mayana Neiva, Lourinelson Vladmir
Classificação: 14 anos – Duração: 1h45min – Gênero: Drama

Pianista de Buddy Guy se apresenta em Curitiba

O cantor e pianista norte-americano Donny Nichilo é a atração internacional de agosto do Expresso Curitiba, casarão histórico na região central da cidade recém-transformado em espaço cultural, gastronômico e sustentável. Donny Nichilo se apresenta na próxima sexta-feira (23), a partir das 8 da noite. Os ingressos custam R$20 e R$10 (estudantes e músicos). O Expresso Curitiba fica na Rua Alfredo Bufren, 323.

Nascido e criado em Chicago, Nichilo integrou os grupos Floyd McDaniel e Blues Swingers. Foi também um dos fundadores da lendária banda de swing The Mighty Blue King. Sua trajetória musical é respaldada por apresentações ao lado de Carlos Santana, Buddy Guy (de quem foi pianista), Stevie Ray Vaughan e Ronnie Wood (The Rolling Stones).



Versátil, Donny interpreta diferentes estilos de blues, jazz, swing e standards da música seminal norte-americana. Durante o show, canta e executa ao piano composições próprias, muitas delas marcadas pelo improviso jazzístico.

Expresso Curitiba
Proporcionar uma experiência gastronômica, musical, histórica, afetiva e sustentável é a proposta do Expresso Curitiba Hostel e Coffee Bar, inaugurado em junho deste ano com show do saxofonista francês Baptiste Herbin. O espaço cultural está instalado num casarão de 400m2 erguido em 1892, na Rua Alfredo Bufren, no coração de Curitiba – entre o prédio histórico da Universidade Federal do Paraná e o Teatro Guaíra.

Além de espaço cultural e musical com foco em jazz, o Expresso Curitiba é pioneiro na cidade ao oferecer ingredientes frescos, colhidos diretamente de uma fazenda urbana instalada no próprio estabelecimento. São mais de 50 plantas à disposição, provenientes de produtores locais e de cooperativas familiares.

SERVIÇO
Donny Nichilo
Sexta-feira (23), às 20h
Expresso Curitiba – Rua Alfredo Bufren, 323, Centro
Ingressos: R$20 e R$10 (estudantes e músicos)

Movimento reúne cineastas e agentes culturais contra a extinção da Ancine

Cineastas, cinéfilos, artistas, entidades e agentes culturais de diversos estados brasileiros, e também do Paraná, se uniram para responder formalmente às recentes declarações autoritárias e antidemocráticas do presidente Jair Bolsonaro em relação à Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Durante as últimas semanas, Bolsonaro disse que pretende instalar “filtros de avaliação” na Ancine. Depois, que iria transferir a agência do Rio de Janeiro para Brasília. Na sequência, que tiraria da Ancine o Fundo Setorial do Audiovisual, o repassando para a Secretaria Especial da Cultura. A afirmação mais radical, e sem precedentes, veio na última quinta-feira (25), quando Bolsonaro disse que pretende “extinguir” a Ancine.

O Movimento Suprapartidário Artigo 5º, criado na semana passada, reúne, até o momento, 3.700 artistas de todas as linguagens, escritores, produtores, designers, advogados, jornalistas e apoiadores para uma campanha a favor do inciso 9º do Artigo 5º da Constituição Brasileira: a livre expressão.

O grupo foi criado em Belo Horizonte. Uma de suas articuladoras é Tatyana Rubim, gestora cultural. No dia seguinte, outros grupos foram criados em São Paulo, sob comando da atriz Yara de Novaes, e também no Rio de Janeiro, Santa Catarina, em estados do Nordeste e no Paraná.

O movimento divulga o que rege a constituição e pretende esclarecer a sociedade sobre as reais funções e benefícios da Agência Nacional do Cinema – para a cultura, a democracia e para a economia. Camisetas com estampas do Artigo 5º foram usadas em gravações de vídeos criados pelos participantes do movimento. Nomes como Marisa Orth, Hugo Possolo, Antônio Grassi participaram da ação.

Outra atividade em andamento é uma nota de repúdio contra a censura com uma lista com cerca de 3.800 signatários na plataforma Avaaz. Caetano Veloso, Paula Lavigne, Alessandra Negrini, Débora Falabella, Alcides Nogueira, Dira Paes, Fause Haten, Elias Andreato, Monique Gardenberg, Cissa Guimarães, Júlia Lemmertz, Bob Wolfesson, Lira Neto, Camila Morgado e Frei Betto são alguns dos assinantes.

No Paraná, um grupo de trabalho também está ativo. Ações em redes sociais e presenciais estão sendo planejadas para os próximos dias.

ímã lança primeiro single; Tuyo vai à Europa

O coletivo, o comum, a sinergia. A banda curitibana ímã, formada por nove artistas, lançou há alguns dias seu primeiro single, “Memória do Chão” . Assista ao lyric video abaixo:

Na composição, timbres da música brasileira encontram sonoridades sintéticas, apresentando uma diversidade representativa do próprio grupo. Cello, cavaquinho, guitarra, sintetizador e maracas compõem, em meio a outros elementos, texturas que visitam lugares do rock experimental, vestidas com ritmos brasileiros e influências eletrônicas. Na letra, um trajeto de dúvidas sobre si e a busca pelos próprios rastros, passando por múltiplas vozes, às vezes sóbrias e outras explosivas.

Formada por integrantes de outras bandas e projetos, como Farol Cego e Veenstra, a ímã abre os caminhos para o lançamento de seu primeiro álbum, previsto para o segundo semestre.

Foto: Tárcilo Pereira

A ímã é André Garcia (guitarra, violão e voz), Dayane Battisti (cello, violão, cavaquinho e voz), Francisco Okabe (cavaquinho, violão de 7, flauta e voz), Leonardo Gumiero (baixo, sintetizador e voz), Lorenzo Molossi (bateria, guitarra e voz), Luciano Faccini (clarineta, violão, guitarra e voz), Má Ribeiro (percussões e voz), Melina Mulazani (percussões e voz), Yasmine Matusita (bateria e voz).

A turma faz shows nos próximos dias 19 e 20 de julho, no Teatro Paiol. O trabalho também conta com participações especiais de Soema Montenegro, Roseane Santos, Matê Magnabosco e Cacau de Sá.

*

Com o disco “Pra Curar”, sobre processos de cura após a dor, a banda Tuyo cruzou influências da folk, hip-hop e do synth pop. Agora, o grupo formado por Machado, Lio e Lay Soares cruza o oceano na estreia da turnê europeia.

No dia 13 de julho, a Tuyo se apresentou em Lisboa, no MUSICBOX; e no dia 19, o trio participa do Festival Colours of Ostrava, na República Tcheca, ao lado de The Cure e Florence and The Machine.

Primeiro disco de Diego Perin conecta quem achou estar só perante o absurdo

“Cuidado ao Ficar Muito à Vontade”. É este o providencial título do primeiro álbum de Diego Perin, ex-baixista da Banda Gentileza. Lançado no dia 28 de junho, sucede o EP “Cabresto” (2018). O disco une de forma inequívoca a ironia quase distópica de nossos tempos a mensagens potencialmente otimistas sobre com ser um bom humano neste início de século, marcado por fé cega, narcisismo tóxico e falta de posição assertiva no mundo. O show de lançamento acontece neste sábado (6), a partir das 5 da tarde, em local secreto, revelado após a compra do ingresso (à venda aqui).

Diego entrega com grooves tudo o que tem, nas ideias, nos princípios e em suas guerras particulares. Com influências musicais de Beatles, rock dos anos 90, Zé Ramalho e do próprio suingue urbano da Banda Gentileza, nos oferece sua visão de mundo, compartilhada naturalmente por quem quase enlouqueceu ou duvidou de si mesmo nestes últimos anos, nestes tristes trópicos.

Foto: Nicolas Salazar

São vários os momentos e as cenas de “Cuidado ao Ficar Tão à Vontade”, um disco também cinematográfico. “O Que é Que Falta” abre o álbum exibindo um riff de guitarra que ecoaria de alguma banda do início dos anos 2000 numa Quarta Rock dos bons tempos. Se os versos são um quase diário de alguém inconformado, mas consciente, o refrão é uma indagação em busca, enfim, do equilíbrio coletivo, não individualista: “o que é que falta em nós?/ o que é que sobre em nós?”

“Não Vou Buzinar”, a terceira faixa, é uma crônica ensolarada sobre os absurdos cotidianos com os quais tememos nos acostumar. Neste caso, sobre aquele pulha que buzina depois de dois segundos de sinal fechado. “Você também se sente perdido neste mundo?”, canta Diego, aproximando seus pares, neste disco que também é uma espécie de ímã para quem está atento e ainda humano.

“Heróis” é coisa séria e dialoga de forma impressionante com as certezas convertidas e o mito do herói moderno, e talvez bem brasileiro. Aquele que sufraga sua missão suposta e perigosamente messiânica ao atropelar tudo e todos com as bençãos de quem acredita que o outro, por pensar diferente, é o capeta em pessoa. A música é soturna, e dilui-se em sua própria efemeridade, não por acaso.

A emocionante “Treta” é uma bandeira branca em forma de música a amigos e amores antes infinitos que sucumbiram à distopia vigente. Feridas expostas, cicatrizes de quem perdeu a referência e o coração em grupos de whatsapp? Diego, buena onda, acha que a escolha pela ignorância e alienação é, na verdade, uma baita de uma bad trip.

“Walstreet” segue a jornada irônica, mas nunca vazia, deste disco. É sobre aqueles que subverteram sua identidade ao que é finito. Neste caso, uma SUV prateada que fura o sinal. Zé Ramalho é influência explícita num pop country que descola símbolos da jacuzice e da arrogância para levá-los a um lugar musicalmente divertido.

Nesta jornada de exposição, diálogo, perguntas e incertezas, Diego Perin está acompanhado de Douglas Vicente (bateria), Ruan de Castro (baixo), Vinicius Nisi (teclados e sintetizadores), Rodrigo Lemos (guitarra), também produtor do álbum. Há participações de Valderval Oliveira (timbales), Vitor Salmazzo (percussão), Leandro Dalmonico (viola), Bernardo Stumpf e Thiago Ramalho (voz).

“Cuidado ao Ficar Muito à Vontade” é um disco importante porque serve como documento histórico subjetivo para um período que ainda desafia a compreensão. E como suporte musical para quem achava estar sozinho no meio do mundo.