10 livros que me marcaram em 2019

Estava um tantinho na dúvida em publicar os dez livros que mais me marcaram em 2019 porque é uma lista masculina e branca. Mas serei honesto comigo mesmo e deixarei a lista aí como um aviso para mim mesmo, de que preciso pesquisar mais.

Ao mesmo tempo, a lista mostra como o mercado funciona mais ou menos — ou como me deixo levar por ele, a despeito da experiência de leitor.

Tentei ser intelectualmente honesto, porém: a lista foi feita com um movimento técnico: escolhi romances (que é a minha especialidade), escolhi romances de impacto, escolhi romances que têm algo novo a dizer sobre a escrita romanesca, romances que têm algo a dizer sobre a atualidade, que releem velhas estruturas e temas, etc. A escolha é técnica (e sempre pessoal, lógico). Tentei edições lançadas em 2019, mas resolvi colocar Feinmann para divulgá-lo no Brasil (ele é pouco lido e pouco conhecido aqui, o que é uma pena). E coloquei Böll porque, felizmente, algumas editoras no Brasil (Carambaia, por exemplo), têm tentado trazer um pouco de luz nessa treva toda. Acho que Soler e Banville têm edições um pouco mais antigas, mas me caíram à mão somente agora. 

Melhorarei ano que vem. A lista será menos masculinista e mais negra.

Não faço lista de obras teóricas porque sim. Outro dia um cara que me foi apresentado perguntou porque não levo aos meus alunos Harari… Bem, mentalmente respondi “porque levo Mbembe, Butler e di Cesare”.

O que ganhei nas leituras com teóricas brancas e negras e com teóricos negros foi uma conquista pessoal muito importante para mim. Em paralelo, perdi uma chance quanto aos romances. Mas está aí a lista, dez dentre uns duzentos romances lidos malemá ao longo do ano.

Em relação a escritoras brancas e negras, eu sugeri dias atrás quinze narrativas para quem quiser conhecer um pouco melhor esta produção.

Espero que alguém goste, sem me odiar. A ordem é a de impacto como leitor e pesquisador.

1. Nolstalgia: Mircea Cārtārescu
2. Serotonina: Michel Houelebecq
3. Máquinas como eu: Ian McEwan
4. O mar: John Banville
5. Literatura nazista na América: Roberto Bolaño
6. A honra perdida de Katharina Blum: Heinrich Böll
7. La ultima hora del ultimo dia: Jordi Soler
8. A morte do comendador: Haruki Murakami
9. La astucia de la razón: Jose Pablo Feinmann
10. Lasca: Vladimir Zazúbrin

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