O casaco de Marx

Stallybrass escreve três pequenos ensaios, simples, despretensiosos, mas muito bonitos, em que a roupa aparece mais ou menos como personagem (mais o primeiro e o segundo).

No primeiro, há um belo levantamento de alguns textos da literatura em que a roupa é vista no seu aspecto simbólico, de lembrança ou dor. No segundo, ele conta como o casaco de Marx foi e voltou da penhora enquanto o filósofo escrevia seu mais conhecido trabalho.

O autor lembra que a roupa já foi espólio, herança, peça de desejo pelo valor simbólico ou financeiro, e que até o alvorecer do mundo moderno, quem que a indústria têxtil e a do fabrico de roupas começam a florescer, a roupa era um objeto extremamente caro.

Há menções ao belo texto de Roth (“Patrimônio”), entre outros, e vários cruzamentos aí são possíveis, seja com Madame Bovary (quando ela começa a se “enfeitar” com coisas caras), seja com “Dom Casmurro” (nas cenas em que Capitu troca seu guarda-roupa de solteira pelo de casada), seja com o Gogol de “O capote”.

Uma leitura agradável num livrinho para ser lido numa sentada só.

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Um comentário sobre “O casaco de Marx

  1. Texto claro e irrepreensível. Como de hábito. O maior mérito é cumprir a função: faz com que o leitor sinta a necessidade de ler os ensaios de Stallybrass como uma urgência!

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