Rancière e as figuras da história

A gente vê umas coisas engraçadas, né? O Toffoli diferenciando “ministros” de “cidadãos”, a Dodge no dia da saída usando um vestido de madrinha de casamento vermelho (quando decide tomar uma atitude em relação à Marielle), a desembargadora do Rio afirmando que “um julgamento por vários (em relação ao caso Queiroz) é mais justo que um julgamento monocrático”, e por aí vai.

Uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas vi num blog de Literatura uma “crítica” decepcionada com a pouca qualidade de Cortázar (tadinha, ela esperava tanto da leitura de “Rayuela”, que, bem no fim, segundo ela, é um romance sem graça) e vi as coisas mais doidas ditas sobre “Bacurau”.

Ó, uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas falta conhecimento histórico e das coisas todas, né.

Enfim. Fiquei dias pensando nesse livrinho de Rancière e queria citar dois trechinhos: a) no primeiro, o autor comenta que nosso presente não é vítima do ceticismo, mas do ressentimento. b) no outro ele se pergunta: “o que pode a história, o que pode a imagem cinematográfica , o que podem as duas juntas diante do desejo de que não tivesse acontecido o que aconteceu?”.

Marielle foi assassinada, o MP tem tendência a ser um arquivador, os filhos do presidente estão envolvidos até o pescoço com crimes diversos, houve golpe e houve ditadura e houve tortura. e ministros são cidadãos, beneficiados com todas as benesses “legais”, mas cidadãos.

E “Rayuela” é de uma genialidade ímpar.