Falta de eventos afeta quadrinistas durante a pandemia do coronavírus

Um dos setores mais afetados pela pandemia do novo coronavírus foi o cultural. A falta de eventos, além do fechamento de salas de cinema, por exemplo, causaram um prejuízo enorme, especialmente aos pequenos produtores, geralmente independentes. A situação chegou em cheio no meio dos quadrinhos independentes, a qual a maioria tira grande parte do seu sustento através de eventos.

E esse ano seria devidamente especial. No primeiro semestre haveria o Festival Internacional de Quadrinhos, a FIQ, em Belo Horizonte, evento esse que é bianual. Além disso, a segunda parte do ano seria marcada pela Bienal de Quadrinhos de Curitiba, Perifacon e a Comic Con Experience, ambas em São Paulo. Por enquanto, a data está totalmente confirmada de todos esses eventos é apenas da CCXP, que acontece usualmente em dezembro.

A quadrinista Gabriela Gullich lançaria seu quadrinho de terror “Jogo das Sombras”, na FIQ. Além disso, ela faria uma campanha de financiamento coletivo anterior ao lançamento, afim de ajudar a divulgação do trabalho e fazer com que os apoiadores pudessem pegar em mãos a obra no evento. “Afetou basicamente o planejamento do ano inteiro. Esse seria um dos melhores anos para quem é produtor de quadrinhos”, conta a artista em entrevista ao blog. “Com a pandemia, além do fato de boa parte do nosso apoio ser também de artistas que estão sofrendo financeiramente, achamos que seria mais prudente esperar um pouco”.

A contenção de gastos afeta fortemente o quadrinista Max Andrade Duarte. Ele produz HQs há cerca de 12 anos, além de fazer, aproxidamente, 14 a 18 eventos por ano. Max possui parte da sua renda com um trabalho de meio período com ilustrações para EaD, no entanto, a nona arte é uma de suas rendas fundamentais.

“Estou com estoque parado em casa que não consigo reverter em capital. As passagens compradas pra eventos também serão reembolsadas só em crédito pra próximas viagens, então é outro investimento que foi feito e não retorna por enquanto”, conta ele. O artista ainda diz que está vivendo em uma grande contenção de gastos e realizando alguns “malabarismos” para resolver as contas no fim do mês. Isso tudo tem afetado sua produtividade: “Tinha uma estatueta do meu personagem Juquinha para lançar no FIQ e no Geek Nation, em SP, que estava como convidado. Além disso, perdi o prazo pra inscrição de uma antologia que queria participar, por conta dessa influencia da pandemia na capacidade criativa”, comenta.

Algumas ações tentam trazer um amparo e ajuda na divulgação para esses profissionais. A iniciativa #CoronaConBR reúne mais de 100 HQs brasileiras disponíveis gratuitamente. Além disso, a campanha “Artistas em Quarentena”, criada pela também quadrinista Lila Cruz, colabora com um pouco mais de R$200 para os quadrinistas. O projeto já arrecada mensalmente quase R$2.500, que ajudaram nove artistas já, número que deverá aumentar, segundo Lila.

Dentre os diversos artistas entrevistados pelo blog, todos relataram as dificuldades especialmente atreladas aos eventos. Apesar disso, o Catarse notou um crescimento de 34% nos projetos em março e 30% em abril, se comparados ao ano passado. É talvez a ferramenta principal de geração de receita por esses artistas.

Em grande parte dos eventos, os quadrinistas precisam pagar uma taxa de inscrição para terem uma mesa. Questionada, a FIQ disse que o festival permanece adiado e que existe um estudo sobre a possibilidade de ser realizado em um novo formato. Já a CCXP, disse que ainda não possui um estudo sobre o custo da mesa por artista nesse ano e feito a campanha de apoio #HeroisDoSofa.

Notícia da Semana. A editora Devir lança, no final do mês, a nova edição da série “Biblioteca Will Eisner”, com histórias do grande mestre dos quadrinhos mundiais. A primeira publicada foi “O Contrato com Deus” e agora será “O Milagre da Vida”. Com 416 páginas, a edição custa R$165 reais pelo preço de capa.

Claudio Gabriel

Apaixonado por cultura pop no geral. Repórter da rádio CBN e editor-chefe do site Senta Aí.

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