Entrevista com Sean Phillips sobre “Pulp”

Uma das grandes HQs lançadas em 2021 é “Pulp”, primeiro trabalho mais autoral da colaboração entre Ed Brubaker e Sean Phillips a sair no Brasil. A Editora Mino promete trazer diversas outras obras, entre elas “Matar ou Morrer” e mais. Na história de “Pulp”, acompanhamos Max Winters, um escritor de contos e livros pulp na Nova York de 1930. Só que, após alguns problemas de saúde, ele começa a se ver atraído em uma história real, que não é muito diferente do que ele escreve nas suas produções. O mundo mesmo parece mais contagiante do que a vida como escritor.

Pude conversar com Sean Phillips sobre esse trabalho e outras coisas. A entrevista completa você confere abaixo:

Como foi sua colaboração com Brubaker? Tem algo de você dentro desses quadrinhos que fazem juntos?

Sean Phillips: Trabalhamos juntos há mais de 20 anos e confiamos uns nos outros para fazer nosso melhor trabalho. Eu o deixo para escrever as histórias, e ele me deixa para desenhe as figuras (e letras, e design, e pinte as capas). Às vezes, as histórias são todas Ed, e às vezes eu sugiro coisas. Nós fizemos “My Heroes Have Always Been Junkies” porque eu queria desenhar um romance livro. Passei a década de 1980 desenhando quadrinhos para adolescentes e pensei seria interessante revisitar o gênero.

Dentre suas parcerias, qual você mais gostou de fazer e por quê?

SP: É sempre o que estou desenhando no momento, então, no momento, a série de graphic novels “Reckless”.

O mercado de quadrinhos nos Estados Unidos está mudando bastante recentemente nas grandes editoras. Isso afetou seu trabalho de alguma forma?

SP: O primeiro bloqueio da Covid nos EUA e no Reino Unido nos afetou muito. Estávamos prestes a iniciar uma nova série mensal quando nossos editores, os quadrinhos as lojas e os distribuidores fecharam. Sem ideia de quando as coisas pode reabrir, decidimos fazer algo diferente. Então começamos “Reckless”. As histórias em quadrinhos “Reckless” são a primeira vez que uma série de OGNs (Séries de Quadrinhos Originais) foi tentado nos EUA.

Bem, falando em “Pulp”, foi o projeto desenhado no começo da colaboração de vocês dois? Desde quando você está envolvido nesse quadrinho?

SP: “Pulp” surgiu porque eu queria desenhar um faroeste. É um dos poucos gêneros que eu não desenhei antes, e eu pensei que poderia desenhar algumas paisagens e grandes céus. Não demorou muito para trabalhar, assim assim que Ed criou uma história.

“Pulp” traz uma mistura de elementos clássicos de diferentes gêneros, como pup, faroeste, policial e muito mais. Essa nostalgia dessas produções tornou-se algo cada vez mais claro na cultura pop. Por que você acredita que isso aconteceu?

SP: Nenhuma idéia. Esses gêneros não existiram sempre? Crescendo no Reino Unido, todos esses gêneros floresceram, quase sem nenhum quadrinho de super-herói feito em casa.

No quadrinho, seguimos a trajetória de um homem que busca lembrar seu passado glorioso. Você se identifica, de alguma forma, com o personagem?

SP: Um pouco. Como um artista freelance, tenho estado à mercê do meu editores, constantemente procurando o próximo emprego. Foi um dos motivos pelos quais Ed e eu começamos nossos próprios livros, para que pudéssemos controlar nossas carreiras melhor e planeje o futuro.

Embora o Brubaker já tenha algumas publicações no Brasil, você tinha poucos quadrinhos que saíram aqui. Qual a expectativa da recepção por esse lançamento, sendo tão grande em nosso território? Muitos fãs esperavam logo ver a parceria de vocês.

SP: Espero que “Pulp” vá bem o suficiente para levar todos os nossos livros a serem publicados no Brasil. Eu só quero vender quadrinhos o suficiente para continuar fazendo mais histórias em quadrinhos. Eu realmente não tenho nenhuma habilidade para nenhum outro trabalho!

Claudio Gabriel

Apaixonado por cultura pop no geral. Repórter da rádio CBN e editor-chefe do site Senta Aí.

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