3 quadrinhos latino-americanos para ler durante a quarentena

Depois de abordarmos a produção da nona arte européia, brasileira e americana, vamos dar continuidade a outras realizações pela América, dessa vez a Latina. Apesar de pouco reconhecida internacionalmente, desse meio vieram grandes personagem e histórias, marcadas no âmago dos quadrinhos. Vamos, então, citar 3 como dicas que possuem relação intensa com isso:

. Mafalda

Bom, as tiras de “Mafalda” dispensam apresentações. Seu autor, Quino, hoje com 87 anos, criou uma das personagens mais cativantes em termos de adolescentes inteligentes. Diferentes de alguns filmes que vemos essas personas serem irônicas e quase chatas o tempo todo, aqui estamos com alguém extremamente divertido e cartismático. Criada em 1962, mas publicada pela primeira vez em 1964, vemos uma realização frequentemente crítica por parte do artista, considerando o momento político de sua fundação, quando a Argentina vivia sua Ditadura. Posteriormente a isso, Mafalda continuou sendo uma crítica que colocava todas as questões dentro do país em questionamentos normais de uma criança, como “o que é economia?”. Assim, Quino construiu uma das personagens mais interessante e icônicas dos quadrinhos.

. Condorito

Outro ser advindo das tiras. Esse, o frango, é criação do chileno René Ríos Boettiger, falecido em 2000. Com um uso frequente das onomatopeias para trazer a graça nas suas gags (piadas curtas e rápidas), os ¡Plop! são mais comuns de serem vistos em suas histórias. Elas, em grande parte dos casos, são apenas cômicas, porém já tiveram também um complexo contexto político por detrás, no período da Ditadura Chilena, uma das mais sangretas e macabras da América Latina.

Criado em 1949, as suas tiras se tornaram famosas demais no Chile, quase como uma “Turma da Mônica” por aqui ou até propriamente a “Mafalda”, citada acima, na Argentina. “Condorito” pode não ter as histórias mais complexas ou até questionamentos inovadores na forma da narrativa gráfica, porém sua diversão – necessária para o período de quarentena -, é garantida.

. O Eternauta

Finalmente uma narrativa serializada e fechada. Diferente das anteriores, “O Eternauta” é uma fábula mais séria, publicada dentro do jornal Hora Cero Semanal em uma série. Naquele momento, o autor argentino Héctor Germán Oesterheld cria a HQ com a arte de Francisco Solano López. Com um viés de esquerda, a obra retrata o embate de classes, dando destaque para a história dos heróis coletivos, sem ter realmente um verdadeiro herói protagonista de tudo. Entretanto, acima dessas questões, há um complexo debate sobre as formas de estruturação dominante do poder na Argentina, com seus momentos sempre bastante autoritários, em uma crítica velada a todos os regimes que haviam passado – servindo como parâmetro também ao futuro.

Em 1969, Oesterheld publica novamente a obra com a arte de Alberto Breccia na primeira parte e uma sequência, em 1976, com, novamente, Solano López desenhando. Refletindo o tom mais político do período de Ditadura, há diversas críticas mais diretas e indiretas a situação do país. Verdadeiramente, um retrato da história política e de classes argentina.

Notícia da Semana. Em uma história que envolve adolescência, amizade, discussões complexas sobre música e crescimento, a quadrinista Mariana Sales lança sua primeira HQ: “Quinze Minutos com Você”.

A obra, com 60 páginas e sob o preço de R$35, já pode ser adquirida pela loja oficial da artista. Clique aqui.

Claudio Gabriel

Apaixonado por cultura pop no geral. Repórter da rádio CBN e editor-chefe do site Senta Aí.

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