Em que o professor Wolodomir Kuznetsóff dá notícias do Japão

Meu profiterole,

Cheguei à terra do sol nascente já com o sol se pondo, o que me pareceu de muito mau augúrio, mas a passagem era dada, então me resignei e desta vez nem fui ríspido com as aeromoças.
Os japoneses são silenciosos e organizados, o exato contrário dos sete demoninhos que fabricamos eu e tu. O silêncio aqui é tão grande que, pela primeira vez, ouço com clareza as vozes dentro da minha cabeça, e percebo que elas nem sequer falam português.
Fizeste muito bem em mandar as crianças à colónia de férias – não esqueças de alertá-los, os monitores, sobre Mose e de deixar os supositórios de ritalina no estojinho dele, dá também algum dinheiro por fora, just in case.
Espero que episódios como aquele envolvendo o Embaixador da Vulgária não mais se repitam durante a minha ausência, está bem? Preserva-te, querida. Continua passando o creme íntimo, a bicharada há de sumir.
Agora vou dormir, o pênis cubano está na cabeceira, dentro da caixa.
Amanhã bem cedo vou ao médico tentar o reparafusamento (ou, em último caso, comprar um novo aqui mesmo – embora o Japão não seja o melhor lugar para isso, a ser verdade tudo o que dizem).

Sempre teu,

Wolodomir Kuznetsóff
(Pietro Juan Garcia Porra y Porras)

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