Em que o professor Wolodomir Kuznetsóff perde um apêndice, mas não a elegância

Hamór,

Vou ser direto: a pajelança falhou, a mistura continuou azul, meu pénis gangrenou e caiu.
A junta médica coreana que me acompanhava não teve nem a delicadeza de acondicionar direito os despojos: enfiou o defunto dentro dum vidro de pepinos em conserva – que, como toda a gente sabe, são verdes, cor esta que, tivesse sobrevindo durante a terapia, teria salvado o meu pepino e eu não precisaria passar por mais um constrangimento nessa minha vida já quase toda feita só de constrangimentos. Ou a coreanada filhadaputa leu o Pilatos do Cony ou eles têm um senso de humor muito peculiar.
Bem, mas isso agora é passado, o capitalismo venceu e hoje já deve haver supermercados onde dê pra comprar um novo com uma configuração adequada àquele nosso padrão de uso.
A boa notícia é que, temendo um escândalo internacional, eles pagaram a nossa passagem (minha e do meu pepino) até o Japão, onde devemos aterrissar nas próximas horas.

Mutilado mas sempre teu,

Prof. Wolodomir Kuznetsóff

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