Em que o professor Wolodomir Kuznestsóff chega à Rússia

Meu creminho brûlée,

Consegui, a muito custo, me desvencilhar daquela gente pouco antes de descer em Vladivostok. Tive o auxílio duma moça que na adolescência disse ter dançado no Ballet Bolshoi, mas foi obrigada a abandonar a carreira por causa duma artrite refratária nos dedos do pé (depois vim a saber que tudo conversa fiada, na verdade tinha sido casada com o atirador de facas do Circo Bolshoi – aqui tudo se chama Bolshoi, é uma exigência do governo, parece – , e esse sujeito, o marido, acabou assassinado pela amante, e com uma das suas próprias facas, e no fim a moça, a suposta bailarina, casou-se com a assassina do ex-marido, uma história, embora um pouco trágica, belíssima, a meu ver). No meio do lodo, do sangue e do enxofre às vezes vicejam os melhores sentimentos.
Tenho passado o tempo todo bêbado para suportar o frio.
Um parênteses curioso: conheci no bar o filho do Boris Ieltsin, o piá é muito deprimido e bebe quase como o pai, fiquei com pena, até paguei uma rodada e aluguei os meus ouvidos.
Espero q aí estejam bem tu e as crianças.
Procura te distrair, embebeda-te também, frequenta as bacanais dos nossos amigos, produz sordidezes.

Sempre teu,

Wolodomir Kuznetsóff

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