Ciclista faz da mobilidade urbana causa para vida

Gheysa Prado
A designer e professora universitária Gheysa Prado coordena o Coolab Bici (Foto: Arquivo Pessoal)

O quanto suas paixões estão presentes na sua vida? A designer e professora universitária Gheysa Caroline Prado fez das questões sobre mobilidade urbana causa para atuar como pesquisadora e ativista em Curitiba. Além do envolvimento em grupos como o Cicloiguaçu e o Bike Anjo, ela defendeu recentemente uma tese de doutorado sobre o tema e está à frente de um projeto que busca incentivar o uso da bicicleta junto à comunidade da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Chamada de Coolab Bici, a iniciativa existe desde 2017 e consiste no empréstimo de bicicletas para estudantes, professores e demais servidores da instituição, incluindo os terceirizados. O pré-requisito é nunca ter usado a bicicleta como meio de transporte ou ter deixado esse modal há pelo menos cinco anos. As magrelas utilizadas – 13 no total – são bikes que chegaram ao projeto após terem sido doadas ou abandonadas. Todas passam por um processo de recuperação e reforma antes de serem ofertadas.

Gheysa: projetos envolvendo bike fora e dentro da academia (Foto: Arquivo Pessoal)

“Nosso foco são os ciclistas iniciantes, quem têm vontade de usar a bike, mas medo de investir em uma. Com o projeto, essas pessoas podem sentir se o trajeto se o trajeto e distâncias que vão percorrer são adequados para elas”, explica Gheysa, que pedala há dez anos.

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Desde que o Coolab Bici começou, já foram feitos mais de 60 empréstimos, a maioria semestral. Há ainda os empréstimos de férias, que ocorrem de dezembro a fevereiro. Segundo a coordenadora, existe até fila de espera pelas bicicletas. Cada uma foi carinhosamente batizada com o nome de um doce, como pudim, gelatina, paçoca e cocada.

“Esse projeto surge um pouco antes da minha pesquisa e, como forma de fazer as coisas andarem organicamente, pensei em como amarrar isso com a academia. Foi aí que desenvolvi minha pesquisa usando as ferramentas do design para promover a mobilidade urbana”, observa Gheysa, ao comentar sobre a tese “Modelo para promoção da mobilidade urbana ativa por bicicleta: uma abordagem do design de serviços para o comportamento sustentável”. O trabalho considerou  a aplicação do projeto de empréstimos de bike, incluindo entrevistas com especialistas e atores envolvidos.

A conclusão foi de que as estratégias de design podem ser um elemento facilitador na área, mesmo sendo aplicadas a um contexto mais próximo de serviço do que de produto. “A maior parte dos relatos que tive foi positiva, com pessoas continuando a usar bicicleta como meio transporte alternativo depois de passar pelo projeto”, assinala. Quem não seguiu com o modal, na maior parte dos casos, foi porque não teve recurso para comprar uma bicicleta ou não conseguiu uma emprestada.

Em meio ao atual cenário da bike envolvendo o poder público, Gheysa vê o diagnóstico como favorável. “Queremos mudar a mentalidade de que quem usa a bicicleta é um cidadão de segunda classe e que faz isso por falta de opção. Não, nós usamos bike por opção. Estamos trabalhando com pessoas que vão ocupar locais de decisão”, define.

Para saber mais sobre o Coolab Bici, clique aqui.

Sobre Antoniele Luciano 122 Artigos
Antoniele é jornalista, professora e mestranda em Estudos Literários. Na academia, pesquisa e escreve sobre autoria de mulheres negras. Fora dela, caça histórias de protagonismo feminino em Curitiba e onde mais possam estar.

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