Mãe cria projeto para democratizar acesso à cultura e lazer para crianças

Atividades na Praça 29 de Março: música, arte, jardinagem e outras formas de diversão para crianças (Foto: Divulgação)

Não demorou muito depois do nascimento do filho Lucas, hoje com 3 anos, para que a relações públicas Roberta Lopes Guizzo, de Curitiba, percebesse o quanto a maternidade envolveria um caminho de desafios e descobertas. Foi de uma necessidade pessoal que a comunicadora foi desenvolvendo, aos poucos, um projeto que está dando um novo significado à Praça 29 de Março, no bairro Mercês.

Durante os passeios com seu bebê pelo local, Roberta sentiu falta não só de mais frequentadores no espaço em dias de semana, mas também de atividades de lazer e cultura, de qualidade e gratuitas, disponíveis para crianças do entorno. “Percebi esse esvaziamento. Era necessário se movimentar e fazer com que outras pessoas também fossem para a praça”, comenta a comunicadora. E foi isso o que ela fez, ao criar o Brincar na Praça.

A relações públicas Roberta Lopes Guizzo: um olhar diferente para os espaços públicos após a maternidade (Foto: Divulgação)

Sem fins lucrativos, o projeto busca atender uma demanda que Roberta constatou ser de outras famílias também. A primeira atividade oferecida consistiu em uma oficina de jardinagem, em parceria com a primeira voluntária, Iracema Bernardes, da Horta do Jacu. Juntas, as duas providenciaram mudas e terra, enquanto cada criança levou um potinho para fazer seu próprio plantio. Foram 16 participantes, mesmo com instantes de chuva, lembra a relações públicas.

Hoje, com auxílio de mais apoiadoras, o Brincar na Praça já desenvolveu 27 atividades, reunindo cerca de 2 mil participações, entre pais e crianças de todas as idades.

Atividades

A programação atende a todos os gostos. Além de jardinagem, há música, arte, práticas corporais, yoga, brincadeiras lúdicas e até piqueniques literários, com apoio de uma escola de música e da Biblioteca Pública do Paraná. As atividades ocorrem sempre perto da natureza. “Temos uma ideia errada de que natureza é só no meio do mato, mas não é isso. Natureza é também chuva, poça d’água. A natureza urbana pode ser encontrada na praça, onde a criança pode experimentar textura, correr na grama, brincar na areia, com pedra, na lama, com graveto de árvore, recolhendo folhinhas, percebendo quando as flores começam a cair e quando começam a vir”, assinala a mãe, que, apesar do desafio de garantir a sustentabilidade do projeto, avalia como positivos os resultados já obtidos com o Brincar na Praça.

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Além da oferta de cultura e lazer para crianças em dias de semana, Roberta analisa que a ação voluntária tem estimulado conexões entre familiares e entre mães e crianças que até então não conviveriam juntas fora da praça. Ao mesmo tempo, acrescenta ela, o projeto tem sido uma alternativa para o livre brincar fora do circuito comercial e eletrônico. É, como a criadora define, uma via de fortalecimento de relações entre pessoas e das pessoas com a própria cidade.

“Eu penso que, ao nos apropriarmos dos espaços públicos, de certo modo, estamos plantando uma sementinha para o futuro. Quem vai cuidar da cidade? São elas, as crianças. Se elas estão muito no ambiente privado – escola, clube, shopping, quando você leva a criança para a rua, você está dando outra perspectiva da cidade para sua criança. Quando a criança se relaciona com pessoas de vários estilos, ela se abre para possibilidade de se conscientizar de que a vida não é só ela, os pais dela e o mundo que a cerca”, reforça.

O Brincar na Praça acontece uma vez por semana. A participação é livre e gratuita nas atividades. A programação pode ser acompanhada pela página do projeto no Facebook e no Instagram.

Sobre Antoniele Luciano 122 Artigos
Antoniele é jornalista, professora e mestranda em Estudos Literários. Na academia, pesquisa e escreve sobre autoria de mulheres negras. Fora dela, caça histórias de protagonismo feminino em Curitiba e onde mais possam estar.

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