Ela Pode, Ela Vai: a ‘bloca’ comandada por feministas na folia de Curitiba

Integrante da Bloca Ela Pode, Ela Vai com estandarte do coletivo durante o Pré-Carnaval 2019 (Foto: Giorgia Prates)

Quantos blocos carnavalescos você já viu sendo comandados por mulheres? Poucos? Nenhum? Em Curitiba, foliões que curtiram o Pré-Carnaval neste ano puderam se divertir ao som das integrantes da Bloca Ela Pode, Ela Vai. Ao todo, são cerca de 40 mulheres envolvidas no coletivo e que agora se preparam para participar dos atos previstos para o 8 de Março na capital. Elas se revezam entre diferentes postos durante as saídas carnavalescas – desde puxando marchinhas e tocando instrumentos até a comissão de apoio nas ruas.

A Ela Pode, Ela Vai começou as atividades em janeiro de 2018, quando as primeiras participantes, que já tocavam em blocos mistos, decidiram organizar o coletivo. Na época, havia dificuldade para ocupar esses espaços enquanto mulheres, seja por situações de machismo e até a menor disponibilidade de tempo para aprender a tocar instrumentos. “Fomos então construindo a Bloca durante o ano de 2018, ensaiando todas as semanas e com as mulheres aprendendo a tocar”, relata o grupo, que preferiu ser entrevistado enquanto coletivo.

Coletivo criado em 2018 tem cerca de 40 mulheres envolvidas (Foto: FotoFolia)

Ao longo desse período, a Bloca enfrentou de tudo – de hostilidade a atitudes machistas. As integrantes, no entanto, seguiram firmes e se organizaram junto a outros blocos para garantir a saída durante o período de Pré-Carnaval de 2019. “Já sabíamos que não seria fácil, mas mesmo assim, conseguimos construir um espaço de muita proteção”, pontuam.

Leia também: Campanha contra o assédio distribui tatuagens temporárias no Carnaval

Na prática, o trabalho do coletivo foi além dos ensaios com tamborins, caixas e surdos. Pouco a pouco, as participantes foram ressignificando letras de músicas que se referem à mulher como objeto, tomando decisões juntas e reivindicando seu direito de se divertirem como desejam em um dos festejos mais populares do Brasil. “Pensamos sempre em poder estar na rua com o que a gente tem, com o que queremos dizer e da nossa forma de dizer”, salientam.

Ativismo

Mas engana-se quem pensa que a Bloca só sai às ruas em períodos de folia. A Ela Pode, Ela Vai já levou suas batucadas para as manifestações do Ele Não, que reuniram milhares de pessoas em Curitiba durante as eleições passadas, atos contra a LGBTfobia e a favor da descriminalização do aborto.

Integrantes da Bloca juntas durante manifestação no Centro de Curitiba, em outubro de 2018 (Foto: Valéria Lopes)

O coletivo deve voltar aos ensaios após o Carnaval. Interessadas em participar da Bloca podem entrar em contato através da página do Facebook do grupo. Não são necessários requisitos prévios, como saber tocar ou ter os próprios instrumentos.

Sobre Antoniele Luciano 119 Artigos
Antoniele é jornalista, professora e mestranda em Estudos Literários. Na academia, pesquisa e escreve sobre autoria de mulheres negras. Fora dela, caça histórias de protagonismo feminino em Curitiba e onde mais possam estar.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*


Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.