Paranaense é a 1ª brasileira a participar de expedição na Antártida só para mulheres

Natalie garante que a passagem pela terra do gelo foi a mais marcante de sua vida (Foto: Arquivo Pessoal)

Imagine navegar 21 dias por um continente gelado e enfrentar ondas de 12 metros de altura. Você encararia? Paranaense, a ambientalista Natalie Unterstell, de 35 anos, não só topou o desafio, como escreveu seu nome na História. Ela foi a primeira e única brasileira a participar de uma expedição para a Antártida exclusiva para mulheres. Trata-se da terceira edição da Homeward Bound – A mãe natureza precisa das suas filhas, a maior expedição feminina do mundo. Ao todo, foram reunidas em um navio 80 mulheres envolvidas com ciência e natureza.

Apesar de já ter visitado mais de 70 países, Natalie, que também é mestre em Políticas Públicas pela Universidade de Harvard, garante que a passagem pela terra do gelo foi a mais marcante de sua vida. A expedição ocorreu entre entre 31 de dezembro de 2018 e 21 de janeiro deste ano. “São cerca de 100 anos de exploração da Antártida por homens. Uma expedição como a nossa é, ainda, quase um milagre”, comenta ela, ao enfatizar. “Não somos as primeiras e nem as últimas”.

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Segundo Natalie, dois grandes temas justificam a expedição: empoderamento feminino e mudança do clima. A intenção do programa australiano é recrutar mulheres influentes de todo mundo com o objetivo de fomentar a colaboração global com lideranças femininas. A meta é envolver 1000 mulheres, ao longo de 10 anos.

Expedição reuniu 80 mulheres do mundo todo envolvidas com ciência e natureza (Foto: Arquivo Pessoal)

A Antártida é o foco da viagem por representar um ambiente que reflete questões ambientais de escala global. “A Antártida serve como pano de fundo para entendermos o estado real do planeta e nós temos o compromisso de dar visibilidade a alguns dos problemas mais intratáveis da humanidade: mudança do clima e desigualdade de gênero”, define a ativista.

Natalie após experiência no gelo: juventude pode ser protagonista de decisões determinantes para a humanidade (Foto: Arquivo Pessoal)

De volta ao Brasil, ela está determinada a impactar sua geração. Natalie afirma que os mais jovens podem ser protagonistas de decisões determinantes para a humanidade. “Somos a geração que tem acesso aos dados científicos, recursos e tecnologia para manter o aumento da temperatura compatível com o desenvolvimento sustentável. Temos uma obrigação moral de agir, agora”, pontua.

Sobre Antoniele Luciano 119 Artigos
Antoniele é jornalista, professora e mestranda em Estudos Literários. Na academia, pesquisa e escreve sobre autoria de mulheres negras. Fora dela, caça histórias de protagonismo feminino em Curitiba e onde mais possam estar.

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