Tech Ladies: curitibana cria rede para empoderar mulheres na tecnologia

Parte das integrantes da rede Tech Ladies durante evento (Arquivo Pessoal)

Quando era pequena, a tecnologia passava distante dos sonhos da curitibana Vanessa Romankiv. Aos 12 anos, a menina queria mesmo era saber de futebol. Chegou a se inscrever para uma peneira, seleção para treinar na escolinha do São Paulo, mas na hora ‘h’, não foi encarar a bola em campo. “Não lembro o motivo, mas meu pai vetou. Ele acabou pagando depois um curso de informática para mim”, recorda ela, hoje aos 31 anos e testadora de softwares.

Esse foi o primeiro passo para que Vanessa conhecesse o mundo dos bits e bytes. Ao invés de navegar pela internet, ela preferia entender como tudo funcionava. Da vontade de desmontar computadores, foi surgindo então o desejo de se aprimorar, estudar mais e se desenvolver na área. Vanessa não só fez tudo isso, como também se lançou um desafio anos mais tarde: ajudar, de alguma forma, outras mulheres a ingressassem num ambiente de maioria até então masculina. Foi assim que surgiu, em 2016, a Tech Ladies. A rede, que busca o empoderamento feminino na tecnologia, tem atualmente cerca de 70 mulheres envolvidas direta e indiretamente. A maior parte delas está em Curitiba.

Vanessa Romakiv, com a placa nas mãos: curiosidade para entender como informática funcionava (Arquivo pessoal)

“Eu participava de vários grupos de software livre e hacker space e era a única mulher. Num grupo de programadores em python, veio esse questionamento. Por que não criar uma rede? Passei então a fazer contato com mais meninas da área e de outro estados também”, relata.

Se no início a profissional de Sistemas de Informação pensava em trabalhar mais questões técnicas, com palestras e workshops, Vanessa foi percebendo que era necessário articular também um trabalho de engajamento com seu público. A ideia era mostrar que o universo da programação é acessível a todas que tiverem interesse.  “Várias mulheres deixam de fazer as coisas por medo. Por isso, trabalhar o empoderamento delas é tão importante. Quando você está empoderada, ninguém te segura. Você vai com a certeza de que tem apoio”, define.

Apesar de recente, a rede já colhe resultados. Através do Tech Ladies, é que um hackathon – maratona que busca soluções tecnológicas – teve a primeira equipe 100% feminina no Paraná. Foi o caso do Hackathon Sesi, em que as participantes apresentaram soluções para a indústria. Em outras edições, as Tech Ladies também atuaram como mentoras e no júri das competições.

Workshop de arduino promovido pela rede (Arquivo pessoal)

A fundadora da rede observa que há ainda casos de ladies, por exemplo, que tinham desistido da área depois de passar por episódios de machismo na profissão e resolveram dar mais uma chance aos seus projetos após conhecerem o grupo. Também tem menina montando o primeiro braço robótico aos 12 anos de idade. “Há ainda casos de meninas que acreditavam que precisavam fazer várias pós-graduações para aprender algo e mostramos que elas podem ir atrás desse conhecimento sozinhas”, comenta Vanessa.

Conhecimento e amizade

Para ela, a Tech Ladies se tornou mais do que uma ferramenta para mulheres que querem conhecimento técnico na área. Trata-se da oportunidade de fazer networking e amigas. “Somos uma família. Nossa tendência é crescer ainda mais, sem nos esquecer do ser humano”, pontua.

Uma série de eventos do Tech Ladies já está programada para acontecer neste semestre. As ações devem mostrar projetos que mulheres estão encabeçando com êxito na área, além de cursos propostos pelas próprias integrantes da rede.

Para conhecer mais, acesse www.techladies.com.br. Mulheres de qualquer área e idade podem fazer parte do grupo.

Sobre Antoniele Luciano 122 Artigos
Antoniele é jornalista, professora e mestranda em Estudos Literários. Na academia, pesquisa e escreve sobre autoria de mulheres negras. Fora dela, caça histórias de protagonismo feminino em Curitiba e onde mais possam estar.

1 Comentário

  1. Seu estilo de escrita é lindo. Muito legal ver a historia da Vah inaugurando este espaço. Sou grata por conhecer vocês e por ter feito parte destas conquistas ao participar do hackathon SESI. A rede Tech Ladies Brasil é o cantinho feliz e seguro para todas nós ousarmos.<3

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