Bem-vindo ao passado!

É difícil crer que haja tantas escolas de jornalismo e mal tenhamos um título de jornal diário em uma cidade como Curitiba. Não vamos nos deter aos motivos, pois seria tarefa inglória e, além do mais, infelizmente se trata de caminho sem volta.

Mas um dos motivos que me levaram ao ofício – no fim dos anos 1980, início dos 90 – foi sem dúvida a grande oferta encontrada numa banquinha. Locais ou nacionais, dos mais sensacionalistas, como Diário Popular ou Notícias Populares, aos mais sisudos, como o Estadão ou a Gazeta. Apenas aqui na cidade havia uma série de títulos que se podia adquirir com poucos tostões. Obviamente à época meu interesse principal era pelo noticiário ligado ao Atlético. Mas, com o jornal na mão, sempre se acabava por percorrer os olhos pelas notícias de política e economia, ou os misteriosos casos policiais, e pelos artigos de opinião. Era possível, enfim, se informar com algum embasamento e critério, ao contrário do que ocorre hoje com a miscelânea de informações desencontradas na internet.

Boa parte destes diários e semanários de todo o país desde o século 19 está disponível numa fantástica ferramenta chamada Hemeroteca Digital, criada e mantida pela Biblioteca Nacional. Uma viagem fantástica pela história de nossa sociedade, especialmente no século 20, contada dia após dia, ininterruptamente, em textos, artigos, extensas reportagens, fotos, charges.

Heros Schwinden, meu colega de jornalismo desde os tempos de faculdade e em tantos trabalhos, além de sócio, foi quem me deu a letra, há alguns anos. Na ocasião, havia encontrado uma série de matérias escritas por seu pai Eurico e publicadas pelo extinto Diário do Paraná, na cobertura de uma incrível excursão do Colorado E. C. (um dos clubes que originou o Paraná Clube) pela África em 1974, às vésperas da Copa da Alemanha. Uma excursão de 52 dias! Bem, de tão fantástica a história foi passada adiante e acabou muito bem contada pelo grande André Pugliesi no Memória FC, blog da Gazeta do Povo.

A partir de então, sempre xeretamos pela Hemeroteca e nos divertimos ao achar e compartilhar histórias inacreditáveis de nossos antepassados paranaenses. Grandes decisões políticas, crimes bárbaros, inaceitáveis negociatas, partidas históricas de futebol, entrevistas memoráveis e toda a sorte de publicidade que nos levam de volta à infância ou bem mais longe: ao tempo de nossos avós e bisavós.

Daí surgiu o convite do Rogerio Galindo, o C.E.O. deste Plural, para que passássemos a postar esses achados por aqui.

Peço permissão para um aparte: nas eleições de 2006, marcada pelo grande volume de denúncias de Caixa 2, chamei o próprio Galindo para ter uma coluna a respeito do pleito. Como se tratava de um jornalista incorruptível, e também com um salário humilde, brinquei que ele não tinha nem caixa 1: era ‘caixa zero’ mesmo. Eis que a brincadeira se transformou no nome da coluna e do blog que o acompanha até hoje. Como retribuição, ele agora foi quem batizou o nosso blog: ‘Hemeroteca’.

Sejam bem-vindos!

PS – No próximo post teremos menos blábláblá e mais ação: Heros Schwinden contará a fantástica história de “Jack Palance”, o assaltante de bancos que apavorou Curitiba nos anos 1970.

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