Quem ganha e quem perde com a privatização da Petrobrás?

Quer uma real? Privatizar a Petrobrás não é lá uma coisa muito inteligente. Sabe por quê? Porque ninguém vende uma empresa que registra lucro líquido de R$ 25,8 bilhões em 2018 e em 2019 o maior saldo positivo da história: R$ 40,1 bilhões.

Vocês já devem ter percebido que os combustíveis oscilam sem parar, que o gás de cozinha tem aumentado sistematicamente e que muitos trabalhadores vêm perdendo postos de trabalho no Sistema Petrobrás. Pois então, essa é uma tática, nada é por acaso.

E podem perceber, esse tipo de coisa sempre acontece quando governos começam a utilizar da chamada política de desinvestimento ou simplesmente privatização. Na verdade, o que eles estão fazendo é entregar o patrimônio público para a iniciativa privada.

É batata: primeiro se sucateia a empresa, deixando de fazer investimentos, depois usa-se da desculpa de que a administração pública não está mais conseguindo sustentar uma determinada estatal e que por isso é necessário vende-la.

Mas atenção: o que está em jogo na desestruturação do Sistema Petrobrás é a vontade do governo de se desfazer da ferramenta brasileira que é o passaporte para um futuro melhor para todas e todos! 

Agora, por que isso acontece?

Primeiramente porque poucas pessoas que estão envolvidas nesse processo ganham muito dinheiro (estamos falando de milhões ou bilhões).  E são esses que podem levar uma generosa “fatia do nosso petróleo”, os facilitadores do processo entreguista: políticos, governantes, ministros, mega empresários e por aí vai.

É aquela coisa, enquanto o povo trabalha e mais trabalha para garantir o pão, recebendo muitas vezes poucos reais no fim do mês, os super ricos ficam de olho nos lucros das importações dos derivados do petróleo. E é aí que a grana pinga; e em dólar.

Além disso, o governo ainda pretender entregar o Pré-sal (a maior descoberta mundial no setor nas últimas décadas) para empresas estrangeiras.

Exemplo desse obscuro sucateamento da Petrobrás foi o que aconteceu na última quarta-feira (5). Quando, através do Projeto de Lei Complementar n° 133, de 2020 (PLP 133/2020), o Senado Federal colocou em votação a transferência de recursos da União para os Estados e Municípios.

Vocês podem se perguntar: o que isso tem de ligação com o petróleo ou a Petrobrás?

Bom, na verdade, o PLP de autoria do Senador Wellington Fagundes (PL/MT) e de relatoria do Senador Antônio Anastasia (PSD/MG), tem nas suas entrelinhas o art. 7º do PLP 133/2020 que revoga os artigos 46 a 60 da Lei n° 12.351, de 22 de dezembro de 2010.

Significa que o Fundo Social do Pré-sal se extingue junto com as revogações acima citadas. E o detalhe neste tabuleiro de xadrez é que o autor do Projeto finge que isso não irá acontecer, ele nem sequer menciona essa extinção.

Ou seja, um assunto que atenta para o futuro da nação não é debatido com a sociedade.

Vale lembrar que o Fundo Social do Pré-sal garante um investimento de aproximadamente R$ 10 bilhões por ano na educação.

Sua extinção representa um desastre para o financiamento da educação pública justamente quando o Congresso Nacional debate a necessidade de ampliar a participação da União no financiamento da educação básica através do novo FUNDEB.

Por fim, quem perde com a venda da Petrobrás?

– A educação será prejudicada, pois a estatal é líder nacional em projetos educacionais. Nenhuma empresa investe mais em educação do que ela;

– A Petrobrás tem papel essencial na arrecadação dos estados, dos municípios e do Governo Federal. Muitas cidades quebrarão sem a estatal;

– São mais de 60 mil funcionários diretos, além dos terceirizados e indiretos. Grande parte será demitida;

– A cultura perde já que a Petrobrás investe milhões de reais em projetos culturais em todo o país;

– A Amazônia, porque recursos da estatal são investidos em projetos para combater queimadas na região;

– O meio ambiente, pois a Petrobrás tem tecnologia para conter desastres ambientais em alto mar;

– Todo o Brasil perde. A participação do setor de óleo e gás já chegou a 13% do Produto Interno Bruto (PIB, que é a soma das riquezas do país).

Mais simples impossível

Privatizar a Petrobrás é algo como pegar um carro novo, deixá-lo velho, todo capenga, e vender o mais barato possível.

É por isso que dizem que a maior empresa brasileira sofre um processo de privataria, entreguismo e sucateamento.

Se a Petrobrás for privatizada, tudo isso deixará de existir. Praticamente todo lucro será transferido diretamente para os países de origem da empresa que adquiri-la.

Ah! E além disso tudo, outro erro gravíssimo da atual administração da estatal e do Governo Federal é se livrar do refino, que é algo estratégico para abastecer a sociedade com combustíveis e gás de cozinha.  

Mas esse assunto é tão importante que será tema do próximo post do Fórum de Defesa da Petrobrás.

Fique ligado!

Por Regis Luís Cardoso

Blog Energia

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