Em tempos de pandemia Brasil precisa da Petrobrás forte e estatal

A maneira como Jair Bolsonaro trata uma pandemia que já infectou mais de 1 milhão pessoas e ultrapassou a marca dos 50 mil óbitos pelo mundo é estarrecedora. Angela Merkel, chanceler alemã, declarou recentemente que o mundo será outro após a Covid-19. E essa ficha ainda não caiu para o presidente brasileiro, que deixa claro seu desprezo pela ciência e pelos especialistas da área da saúde.

O recado de Merkel sobre as mudanças globais após o novo coronavírus é principalmente para os defensores do sistema econômico neoliberal. Essa agenda se mostra incapaz de proteger as vítimas das desigualdades sociais geradas pela concentração de renda e precarização do trabalho, faixas socioeconômicas mais vulneráveis ao vírus.

E é exatamente no centro da tentativa de consolidação do sistema neoliberal que estão os petroleiros. Os trabalhadores responsáveis por manter o abastecimento de produtos essenciais à sociedade vivem momento de tensão, não só pela exposição ao vírus, mas também pelas medidas de resiliência da atual gestão da Petrobrás.

Não é novidade que faz parte da agenda neoliberal os processos de privatizações. E a maior empresa brasileira é a galinha dos ovos de ouro de Paulo Guedes, ministro da Economia. Por isso muitas unidades do Sistema Petrobrás estão sendo sucateadas, fechadas ou vendidas.

Além disso a categoria enfrenta as práticas imorais da atual gestão da Petrobrás. Castello Branco, atual presidente, seguidor da agenda neoliberal, se mostrou equivocado em suas decisões ao ver a maior empresa brasileira ter desvalorização recorde de -48,2% na primeira semana de março deste ano.  

A verdade é que as decisões dos executivos em quarentena impactam diretamente na vida dos trabalhadores expostos ao vírus.

Para piorar, com a pandemia, a crise no setor do petróleo se acirrou, principalmente com a queda da demanda de derivado no mundo, deixando o cenário ruim para todas as grandes petrolíferas.

Crise

Através dos dados divulgados pelo INEEP (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra) se tem uma ideia do tamanho da crise no setor:

:: A queda no preço internacional do barril do petróleo tipo Brent, entre 1 de janeiro e 5 de março, foi de 26,44%. Uma das consequências da redução do consumo internacional, principalmente nos países asiáticos (primeiros a serem afetados pela pandemia do coronavírus).

:: Em um único dia (09 de março de 2020) a cotação do barril tipo Brent foi de 24%. Consequência da queda do consumo internacional somada ao fracasso nas tratativas para um acordo de controle de produção entre os principais países exportadores de petróleo.

Esse cenário afetou grande parte das empresas de petróleo no mundo. Ações caíram vertiginosamente. Na Bolsa de Nova York as gigantes Exxon e Chevron ficaram negativadas em -22,0% e -20,0% respectivamente. A Shell bateu os -29,9% e a Equinor -34,4%. Mas quem levou o selo de “mais negativado” na Bolsa foi a Petrobrás: -48,2%.

Petrobrás forte e estatal  

É melhor para o Brasil ter a companhia mais presente na sociedade. Diversos benefícios poderiam ser revertidos para os brasileiros:

:: Influenciar no preço dos derivados do petróleo e favorecer o mercado interno. Ou seja, combustíveis mais baratos nos postos de combustíveis.

:: Priorizar políticas voltadas para o desenvolvimento nacional.

:: Dar oportunidade de desenvolvimento de cadeias de produção regionais, estimulando a indústrias, setor de serviços e geração de empregos.

:: Controlar a exploração das reservas e da comercialização dos derivados.

:: Fortalecer as refinarias e reduzir importação.

:: Com o refino nacional os preços dos derivados (gasolina, diesel e gás de cozinha) ficam mais baratos.

Vidas valem mais!

Análise do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), “Nota preliminar sobre os impactos da Covid-19 nas políticas de trabalho na produção de óleo e gás”, trata das políticas que as petroleiras pelo mundo têm adotado para evitar a propagação do coronavírus.

Novamente a Petrobrás, assim como o Governo Federal, segue caminho divergente dos demais.

Está no documento (LEIA AQUI): ­“­enquanto algumas empresas buscam redução da produção e do efetivo, com diminuição dos trabalhadores expostos, outras empresas buscam estratégias de manutenção da produção e das metas anteriormente estabelecidas, prolongando os turnos e as jornadas, provocando maior exposição e levando os trabalhadores à exaustão”.

A análise do Dieese revela que o caso brasileiro é diferente de outros cenários e a Petrobrás poderia, por ser uma empresa estatal, articular exploração e refino no limite necessário para a demanda interna, sem necessidade de aumentar a jornada dos trabalhadores da produção e arriscar a segurança dos mesmos.

“A Petrobrás tem adotado medidas draconianas para o trabalho offshore (produção de óleo e gás em plataformas em alto mar), trocando regimes de trabalho em vigor até então –de 14 dias embarcado em alto mar isolado em plataformas, seguidos por 21 dias de descanso (14×21) – por um novo regime, de 28×14, sendo 7 dias de quarentena sob análise médica e outros 21 dias embarcado em alto mar, seguidos por 14 dias de descanso” – diz outro trecho da Nota Técnica do Dieese.  

Essa alteração não é benéfica aos petroleiros. Hoje os trabalhadores estão expostos ao risco de contaminação do COVID-19, sob pressão nas plataformas em alto mar e nas refinarias, além da sociopatia de Castello Branco, que em plena crise pandêmica persegue grevistas com punições e demissões (LEIA AQUI).

Circula entre os trabalhadores do Sistema Petrobrás que a atual gestão é um “Castello de maldades”. Prova disso foram essas demissões de trabalhadores em diversas unidades em plena pandemia do COVID-19. Felizmente, nesse caso, a Justiça entendeu que houve perseguição e prática antissindical e suspendeu demissões. Ou seja: vitória dos trabalhadores!

Por Fórum de Defesa da Petrobrás

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