Privatização da Petrobrás = aumento no preço dos combustíveis, monopólio privado e desemprego

O futuro da maior estatal brasileira é incerto e uma coisa todos concordamos: devemos proteger o que é nosso. Agora, qual a justificativa para tanta pressa em privatizar? Para Eduardo Costa Pinto, professor de economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e pesquisador do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos do Petróleo e Gás Natural):

“Com esta forma de privatização que está em curso, nós vamos caminhar para uma oligopolização. E sob o argumento de diminuir preços e aumentar investimento, vamos caminhar provavelmente em sentido contrário”.

Para Eduardo, com uma economia com poucos fornecedores, tendo o Brasil uma demanda continental, o controle dos preços dos combustíveis ficará nas mãos, além do mercado financeiro, de poucas empresas. Além disso, sem a fiscalização do estado, não haverá compromisso com a sociedade.

E se levar em consideração que a infraestrutura do petróleo no Brasil é regionalizada, diferentemente do que acontece, por exemplo, nos Estados Unidos, em que os dutos e terminais são conectados as mais diversas regiões, tudo caminha para a centralização econômica no setor, restrita a uma minoria:

“Estamos caminhando para um monopólio privado, que vai garantir mais lucro apenas para os grandes empresários internacionais e nacionais, gerando aumento dos preços. E mais ainda, esse monopólio vai engolir na ponta os postos rentáveis – os sem bandeira – diminuindo a competição, não aumentando”, completa Eduardo.

Desemprego

Ainda de acordo com cálculos do Ineep, caso a Petrobrás paralise suas operações no Nordeste, a previsão é que 319 mil postos de trabalho deixem de existir, o mesmo tem ocorrido em todos os cantos do país. Esse é o reflexo da política de desinvestimento na Companhia, que começou em 2015 e já custou o emprego de 2,5 milhões de brasileiros, equivalente a 19% do desemprego atual.

Esses dados foram revelados pelo cientista social William Nozaki, em Salvador, durante o Ato em Defesa da Petrobrás na Bahia. Nozaki, também Diretor-técnico Ineep, disse ainda que “quando a Petrobrás sinaliza que vai concentrar suas atividades no Pré-Sal e no setor de óleo e gás, significa que ela ficará concentrada no Sudeste, em São Paulo e no Rio de Janeiro“.

Paraná e Santa Catarina em alerta!

A Petrobrás responde por 7% do PIB paranaense, gera mais de R$ 2 bilhões por ano em impostos aos cofres do estado e atua em praticamente toda a cadeia de produção de petróleo (da extração ao escoamento, refino e fabricação de fertilizantes nitrogenados).

Suas unidades são: Refinaria Presidente Vargas e Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná em Araucária Usina da Xisto em São Mateus do Sul e o Terminal Aquaviário de Paranaguá no Paraná, já em Santa Catarina temos os terminais na cidade de São Francisco do Sul, Biguaçu, Guaramirim e Itajaí.

Para se ter uma ideia, na Repar, em Araucária, são gerados 7,7 mil (1,7 mil diretos e 5 mil indiretos). Já na Usina do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul, são outros 4 mil (1 mil diretos e 3 mil indiretos). Na Araucária Nitrogenados (Fafen-PR), 3,2 mil (1,2 mil diretos e 2 mil indiretos). Leia a cartilha lançada pelo Fórum em Defesa da Petrobrás AQUI.

Quem perde é o povo brasileiro!

Segundo estudos do Ineep, entre 2018 e 2022, 60% do total dos investimentos no país seriam feitos pela Petrobrás, porém, com os planos desse governo federal, a empresa pretende reduzir drasticamente o destino desses recursos.

Ainda de acordo com o Instituto, a cada R$ 1 bilhão investido na Companhia, se reverte em R$ 1,28 bilhão no PIB nacional, gerando 30 mil postos de trabalho.

Ou seja, a política de desinvestimento faz mal ao Brasil.

Privataria nunca mais!

Por Fórum de Defesa da Petrobrás.

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