Petrobrás e as praias nordestinas

Atualmente muito se fala da contaminação das praias do Nordeste com vazamento de óleo. O que se sabe até agora é que esse crime ambiental é o maior em extensão, pelo menos que se tem registro no Brasil.

De acordo com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o vazamento pode ter seu ponto de origem a 600 km da costa brasileira, em Sergipe e Alagoas. Outra afirmação é que esse petróleo pode demorar até 20 anos para ser eliminado.

Nesse contexto, a Petrobrás já contratou quase dois mil agentes ambientais que, até agora, recolheram mais de 200 toneladas de resíduos oleosos nas mais de 130 praias afetadas no litoral nordestino.

Bem diferente de outras empresas do setor, como a Anadarko, Aurizônia Petróleo, Barra Energia, BG Brasil, BHP Billiton, BP do Brasil, Chevron, Engevix, Exxon Mobil, entre outras, que não costumam ter qualquer compromisso social e obviamente não foram ao litoral nordestino.  

O fato é: das empresas – em sua maioria privadas – que produzem petróleo em águas brasileiras, apenas a Petrobrás se mobilizou para trabalhar na retirada do óleo. Isso reforça a defesa de uma estatal com responsabilidade social e ambiental.

Desmonte da Petrobrás atinge os CDAs

No meio desse mar de informações, o governo federal e a gestão da Petrobrás continuam articulando, cada dia com mais intensidade, o chamado plano de desinvestimento.

Dentro desse projeto de desmonte, através de um ato administrativo, a gestão da ainda estatal optou pelo fechamento dos Centros de Defesa Ambiental (CDAs).

Em nota, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) se posicionou explicando:

“Acabar com esses Centros, alegando corte de custos, coloca a Petrobrás numa posição de não conformidade junto à legislação ambiental. Num momento como esse, são os funcionários que realizam tarefas de coleta dos resíduos nas praias e fazem o estudo de sua origem para dar uma resposta à sociedade e ao governo”.

A Petrobrás reconheceu, no dia 25 de setembro, que desde o dia 12 de setembro contribui com a limpeza das praias que apresentaram manchas de óleo através das equipes do Centro de Defesa Ambiental.

O que são os CDAs?

São bases estrategicamente posicionadas no território nacional para atuar em casos de derramamento de petróleo e seus derivados. O objetivo é reduzir danos ao meio ambiente e à sociedade causados por acidentes.

Os CDAs possuem uma estrutura treinada e equipamentos próprios para este tipo de situações. Os profissionais atuam em regime de sobreaviso e estão de prontidão 24h por dia, sete dias por semana, durante todo o ano.

Esses Centros existem há quase 20 anos. Surgirem após dois graves acidentes com derramamento de petróleo. Um no rio Iguaçu, estado do Paraná, em 2000; e outro na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, em 2001, mesmo ano do afundamento da Plataforma P-36.

Durante sua existência já atenderam centenas de emergências em todo o Brasil e são essenciais para garantir a segurança das pessoas, da fauna, da flora e dos ecossistemas.

É uma irresponsabilidade, não só ambiental, mas social e econômica, o fechamento dos CDAs.

Privatização da Petrobrás = aumento no preço dos combustíveis, monopólio privado e desemprego

O futuro da maior estatal brasileira é incerto e uma coisa todos concordamos: devemos proteger o que é nosso. Agora, qual a justificativa para tanta pressa em privatizar? Para Eduardo Costa Pinto, professor de economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e pesquisador do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos do Petróleo e Gás Natural):

“Com esta forma de privatização que está em curso, nós vamos caminhar para uma oligopolização. E sob o argumento de diminuir preços e aumentar investimento, vamos caminhar provavelmente em sentido contrário”.

Para Eduardo, com uma economia com poucos fornecedores, tendo o Brasil uma demanda continental, o controle dos preços dos combustíveis ficará nas mãos, além do mercado financeiro, de poucas empresas. Além disso, sem a fiscalização do estado, não haverá compromisso com a sociedade.

E se levar em consideração que a infraestrutura do petróleo no Brasil é regionalizada, diferentemente do que acontece, por exemplo, nos Estados Unidos, em que os dutos e terminais são conectados as mais diversas regiões, tudo caminha para a centralização econômica no setor, restrita a uma minoria:

“Estamos caminhando para um monopólio privado, que vai garantir mais lucro apenas para os grandes empresários internacionais e nacionais, gerando aumento dos preços. E mais ainda, esse monopólio vai engolir na ponta os postos rentáveis – os sem bandeira – diminuindo a competição, não aumentando”, completa Eduardo.

Desemprego

Ainda de acordo com cálculos do Ineep, caso a Petrobrás paralise suas operações no Nordeste, a previsão é que 319 mil postos de trabalho deixem de existir, o mesmo tem ocorrido em todos os cantos do país. Esse é o reflexo da política de desinvestimento na Companhia, que começou em 2015 e já custou o emprego de 2,5 milhões de brasileiros, equivalente a 19% do desemprego atual.

Esses dados foram revelados pelo cientista social William Nozaki, em Salvador, durante o Ato em Defesa da Petrobrás na Bahia. Nozaki, também Diretor-técnico Ineep, disse ainda que “quando a Petrobrás sinaliza que vai concentrar suas atividades no Pré-Sal e no setor de óleo e gás, significa que ela ficará concentrada no Sudeste, em São Paulo e no Rio de Janeiro“.

Paraná e Santa Catarina em alerta!

A Petrobrás responde por 7% do PIB paranaense, gera mais de R$ 2 bilhões por ano em impostos aos cofres do estado e atua em praticamente toda a cadeia de produção de petróleo (da extração ao escoamento, refino e fabricação de fertilizantes nitrogenados).

Suas unidades são: Refinaria Presidente Vargas e Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná em Araucária Usina da Xisto em São Mateus do Sul e o Terminal Aquaviário de Paranaguá no Paraná, já em Santa Catarina temos os terminais na cidade de São Francisco do Sul, Biguaçu, Guaramirim e Itajaí.

Para se ter uma ideia, na Repar, em Araucária, são gerados 7,7 mil (1,7 mil diretos e 5 mil indiretos). Já na Usina do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul, são outros 4 mil (1 mil diretos e 3 mil indiretos). Na Araucária Nitrogenados (Fafen-PR), 3,2 mil (1,2 mil diretos e 2 mil indiretos). Leia a cartilha lançada pelo Fórum em Defesa da Petrobrás AQUI.

Quem perde é o povo brasileiro!

Segundo estudos do Ineep, entre 2018 e 2022, 60% do total dos investimentos no país seriam feitos pela Petrobrás, porém, com os planos desse governo federal, a empresa pretende reduzir drasticamente o destino desses recursos.

Ainda de acordo com o Instituto, a cada R$ 1 bilhão investido na Companhia, se reverte em R$ 1,28 bilhão no PIB nacional, gerando 30 mil postos de trabalho.

Ou seja, a política de desinvestimento faz mal ao Brasil.

Privataria nunca mais!

Por Fórum de Defesa da Petrobrás.