A resposta do esporte à política de Trump: qual será o desfecho da história?

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A seleção feminina de futebol dos Estados Unidos ganhou a Copa do Mundo, vencendo a final por 2 x 0 da seleção holandesa. A edição de 2019 aconteceu na França e traz um capítulo interessante ao campo da política também. Durante a competição, a capitã da equipe campeã, Megan Rapinoe, foi questionada se iria comparecer à Casa Branca caso conquistassem o título. Ela foi enfática ao dizer que não iria ao evento, com palavras nem tão polidas assim.

O presidente Donald Trump não deixou por menos e afirmou que para ser convidada ela teria de vencer primeiro. Obviamente ele apagou o post que havia feito em uma rede social em seguida, tratou de passar um pano e convidou a equipe inteira para conhecer a Casa Branca, independentemente do resultado. Ir à Casa Branca após a conquista de títulos, receber os cumprimentos do presidente é um ato comum aos times norte-americanos.

Declinar o convite para ir à Casa Branca tem se tornado cada vez mais recorrente entre atletas. Como a postura do chefe de estado de uma das principais nações do mundo é encorajar ações racistas, sexistas e machistas, isto levou vários atletas a ações como a de Rapinoe, de comunicar globalmente (ao dar entrevistas) que não iriam à sede do governo. Em 2017, após a conquista do Super Bowl pelo Philadelphia Eagles, a visita oficial foi cancelada por Trump, tendo em vista que vários atletas comunicaram que não compareceriam. No ano seguinte, o presidente cancelou o convite ao campeão da NBA, antes mesmo do título ser decidido. Isto por que as duas principais estrelas da final, Lebron James e Stephen Curry também informaram que não iriam ao evento em caso de vitória.

Para Megan, os protestos vem de alguns anos já. Ela é uma das defensoras abertas da causa LGBTQ+, diminuição da diferença salarial entre homens e mulheres, entre outras pautas. Em 2016, Rapinoe aderiu aos protestos iniciados por Colin Kaepernick, então quarterback do São Francisco 49rs. durante o Hino Nacional o jogador se ajoelhava para chamar a atenção a brutalidade policial para com a comunidade Afro Americana. Hoje tal protesto não é permitido na liga estadunidense durante a execução do hino e por isso ela decidiu não cantar mais a letra e tampouco levar a mão ao peito, como a maioria dos atletas faz.

A capitã da seleção, agora tetracampeã mundial, além de uma pedra no sapato da gestão de Trump, é também um símbolo do quanto uma política de confronto, pode desgastar relações institucionais em outros campos além daqueles que os políticos estão acostumados.

Atletas têm a oportunidade de dar voz aqueles que não são ouvidos e ajudar na construção de um mundo mais justo, algo que autoritários não toleram, mas têm de engolir devido ao sucesso e visibilidade dessas estrelas. Quando um político não possui habilidade de comunicação eficaz ou preza pelas boas relações, crises como essas são constantes e tiram o foco do que esses líderes deveriam focar, melhorar o país, como um todo.


Rapinoe fez a parte dela ao liderar o time ao título, ser a artilheira e melhor atleta da competição. Como Trump irá responder a isso? Quais os próximos capítulos? O quanto podemos aprender com isso?

Fonte imagem destaque: PIERRE TEYSSOT VIA GETTY IMAGES

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