Draft na NFL, um modelo a ser copiado?

A liga profissional de futebol americano nos Estados Unidos (NFL) tem um dos cases de maior sucesso entre o mundo do esporte e dos negócios: o sistema de escolha de jogadores, ou draft, para os íntimos. A cada ano, o evento de seleção de novos jogadores procura manter a competitividade e renovação constante dos times, aumentando a capacidade de expansão e atratividade de novos espectadores.

Mas o que é o draft? Como funciona? Para que serve? Como ele é parte importante da manutenção da competitividade na liga? Vamos explorar um pouco desses pontos aqui.

O draft em si, é o evento para escolha de novos jogadores para ingressar nos times da NFL. Ele antecede o início da temporada e serve de aquecimento e preparação tanto para os fãs como para as equipes. Diferente do futebol tradicional aqui no Brasil, que os jovens garotos viram profissionais logo cedo, a NFL tem um sistema que seleciona quase que exclusivamente os melhores jogadores da liga universitária para integrar seus elencos. Ou seja, aqueles jovens que se destacarem na carreira ainda na universidade, têm uma chance maior de integrar a liga profissional. Como existem apenas 32 equipes, a disputa para ingressar nos times é gigante e o universitário serve muito bem para avaliar os prospectos.

Mas como começou?

Em 1937, aconteceu a primeira seleção de atletas vindos das ligas universitárias para os times profissionais. Antes disso, qualquer atleta poderia assinar com qualquer equipe, o que eventualmente causava um desequilíbrio entre quem pagava mais e quem não tinha tanto poder de barganha. Nesta época, haviam apenas 10 times na liga, e pensando em manter a competição mais equilibrada, o dono da equipe do Philadelphia Eagles, Bert Bell, fez a proposta para que os times pudessem escolher, por ordem, aqueles atletas que jogavam em nível universitário.

Aqui está o segredo para mater os jogos e as disputas tão acirradas. As escolhas são inversamente proporcionais à classificação do ano anterior. Os times com pior desempenho em uma temporada têm as primeiras escolhas no ano seguinte, garantindo assim, que equipes “ruins” pudessem selecionar os melhores atletas, ajudando a deixar o sistema mais justo. Sendo que por vezes um grande jogador pode revolucionar o status de um time, imagine o quanto isso incentiva que os jovens universitários se dediquem às carreiras mesmo nos anos não profissionais. Outro detalhe importante é que, ao ser selecionado, o atleta ainda não tem vaga garantida, pois é necessário mostrar as devidas aptidões nos treinamentos da pré-temporada.

Atualmente, o Draft possui sete rodadas, em que cada franquia seleciona os atletas nas posições que lhes são mais necessárias. Quanto mais cedo um jogador é selecionado, maior é a expectativa em cima da produção deste jovem, o que eventualmente causa muita decepção. Diversos atletas foram escolhidas nas primeiras rodadas e não conseguiram corresponder. Nem sempre ter um bom desempenho na universidade garante qualidade na NFL. Na outra mão, grandes surpresas podem vir daqueles que ficam pra trás. Tom Brady, um dos maiores jogadores de todos os tempos, por exemplo, foi selecionado apenas na sexta rodada, escolha de número 199. Ou seja, diversos fatores influenciam a carreira, aí sim, como a maioria dos esportes.

Do ponto de vista mercadológico, esse sistema permitiu à NFL equilibrar e nivelar as equipes, na medida do possível, equiparando o teto salarial e prevenindo casos como o do Real Madrid, por exemplo, que oferece salários milionários. Mesmo com astros como Tom Brady e Bill Belichick, que mantém uma dinastia no New England Patriots. E a cada Draft, surge uma nova esperança aos torcedores de cada uma das 32 franquias com possíveis estrelas ingressando no campeonato.

E aí, você acha que essa prática de jogadores serem testados em níveis universitários poderia dar certo em outros esportes?

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