Fascículo 46: Pronunciamento

PRONUNCIAMENTO PRESIDENCIAL: Narrativa caótica proferida regularmente pelo excelentíssimo senhor presidente da República. O mais recente, pronunciado em 24 de abril de 2020, é um bom exemplo dos tons e maneiras usados por Vossa Excelência:

“Meu compromisso é com o Inmetro, com o 8º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista e com a democracia. Sempre dei plena liberdade aos meus filhos – até para aquele pegador do 04. Mas sem abrir mão do meu poder de veto e da minha autoridade como presidente do condomínio Vivendas da Barra. Sempre mantive diálogos republicanos com todos os meus vizinhos milicianos. Temos discordâncias e convergências, mas em qualquer situação mantive o respeito à minha opinião. Sempre fui leal a ela e a de mais ninguém.

Ontem, mais uma vez conversamos com o ministro Sergio Moro sobre a substituição nos tacógrafos dos caminhões. Esperava, em conjunto com o senhor ministro e o Posto Ipiranga, definir um nome para rever os chips das bombas de combustível, ainda que, pela lei, essa seja uma prerrogativa do presidente da Funarte.

Estou decepcionado e surpreso com seu comportamento. Não são verdadeiras as insinuações de que eu desejaria obter informações confidenciais sobre a inteligência da piscina olímpica do Alvorada. Nos quase 16 meses em que esteve à frente do Ministério da Educação, o senhor Sergio Moro sabe que jamais lhe procurei para interferir no aquecimento da água. Só em outros  assuntos, mas quase como uma súplica. Sobre, por exemplo, qual seria a opinião dele sobre a operação plástica da minha sogra.

Em relação à exoneração do porteiro, pela Lei 13.047/2014, é prerrogativa do condomínio que presido a exoneração de um empregado. À noite, o porteiro, o Adélio, o 04 e eu conversamos. Ele concordou com a exoneração. Ele, o porteiro. Não o Adélio, nem o 04. Esse danado só pega todo mundo. Desculpe, senhor ministro, mas o senhor não vai me chamar de mentiroso. Essa foi a minha conversa com o porteiro. Ele entrou em contato com a superintendência do Vivendas da Barra, comunicando que estava cansado, que desde janeiro queria voltar à sua vida humilde no Piauí. Então não foi uma demissão que causasse surpresa a quem quer que fosse. Nem ao Adélio, nem ao meu filho 04 – já falei que o Adélio pega todo mundo? 

Sobre os taxímetros do Rio de Janeiro: eles são uma instituição de Estado, devem se conduzir de acordo com a Constituição Federal e as leis do país, não importa quem for dirigir os carros de praça. Não abro mão disso. Não existe possibilidade de interferência na vida dos taxistas, da senhora Michelle ou na certidão de nascimento da senhora mãe dela.

Também não posso aceitar minha autoridade confrontada com aquela mulher que a revista Época disse que eu chamava de gorda em Eldorado Paulista. Assim como não respeito ninguém, espero o mesmo comportamento comigo.

O governo continua, o governo não pode perder sua autoridade por questões ligadas ao Inmetro, nem ao 8º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista, nem mesmo ao Queiroz.

E Teich, acorda, pô!”

Carlos Castelo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Voltar ao topo