Fascículo 12: Carluxo, Eduardo e Flip

ÁUDIO: som reproduzido por meios eletrônicos que, ao vazar no meio midiático, mela meio mundo.

BANCADA DA BALA: agremiação de parlamentares que vê a sociedade do ponto de vista balístico. “Se o cidadão tomou balinha na balada, merece bala – afirmou o deputado”.

CARLUXO: do latim, indivíduo que peida na farofa.

COPA AMÉRICA: torneio enfadonho, de cartas marcadas, que serviu para mostrar que o VAR não funciona e que o prestígio de Jair Bolsonaro, junto ao povo brasileiro, é enorme.

DAMARES FALOU M(*): trivialidade. Ver Guedes está irritado.

EDUARDO BOLSONARO: por falar bem inglês e ter boa relação com os filhos de Donald Trump pode ser o próximo embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Enquanto estiver no cargo fará um curso supletivo de Relações Internacionais na faculdade de Rio das Pedras. 

ESCUTA: o que ocorreu em Angola com as minas explosivas, acontece hoje no Brasil com as escutas: elas estão em toda parte. Acabam explodindo na imprensa e causando uma infinidade de escândalos. As mais recentes encontradas foram nas celas da Lava Jato. Essas, em específico, são escutas do bem. Prisão não é lugar de ex-presidente gramsciano ficar namorando com ninguém. 

FLIP: enorme gasto desperdiçado em Cultura, quando ainda não foram resolvidos problemas cruciais do país, como a questão das cadeirinhas para bebês nos automóveis, os pardais nas rodovias federais e a distribuição de fuzis aos proprietários do campo.

GUEDES ESTÁ IRRITADO: trivialidade. Ver Damares falou m(*).

JOÃO GILBERTO: uma pessoa conhecida totalmente desconhecida pelos membros do governo.

O CONTO DA AIA: romance distópico, da autora marxista canadense Margaret Atwood, que virou série de TV. Passa-se na Nova Inglaterra num futuro próximo, que agora seria parte de uma teocracia totalitária fundamentalista cristã. A série explora os vários meios pelos quais as mulheres perderam sua individualidade. A Mídia Extrema vem fazendo maldosamente analogias entre o filme e o governo Bolsonaro. Mais uma fake news. O governo brasileiro não é uma teocracia totalitária fundamentalista cristã. É, isso sim, uma democracia totalitária fundamentalista cristã. 

PAVÃO: grande ave galiforme nativa do Twitter. Os machos são dotados de longas penas na cauda que se erguem formando um leque. Os pavões da linhagem Misterioso (Pavo parvus) usam o rabo para atacar desafetos e outros inimigos do seu bando através de notícias plantadas. No jogo do bicho, correspondia ao número 19, mas recentemente mudou para o 17.

TERRIVELMENTE: equivale a grandemente, totalmente. “Quero no governo um ministro terrivelmente idiota”. “Nossa, mas aquele secretário do Meio Ambiente é terrivelmente inepto”.

VAIA: demonstração coletiva, por meio de gritos e assovios, de aprovação, carinho e respeito ao presidente de um país. 

Fascículo 6

CURA GAY: o único tratamento disponível, até o presente momento, para o homossexualismo – doença cuja origem continua desconhecida pelo governo federal. A recomendação estatal é a de que as pessoas acometidas de tal afecção fiquem dentro de seus respectivos armários, até segunda ordem. Inclusive, porque se saírem podem ser espancados pelos cidadãos que apoiam o caudilho e sua corte.

DISCURSO: parte da oratória para ser falada em público com não mais de 140 caracteres.

FABRÍCIO QUEIROZ: espécie de coringa do núcleo duro governamental. Após ter conseguido pagar ao Hospital Albert Einstein, em São Paulo, uma intervenção cirúrgica com 133 mil reais em dinheiro vivo passou a ser cogitado para o cargo de vice-presidente de operações.

FUZIL: liberado para a população, substituirá, em breve, as Secretarias de Segurança e a Polícia trazendo uma economia de trilhões de reais ao erário público.

HETEROFOBIA: ódio aos heterossexuais. O governo  Bolsonaro quer ver a heterofobia criminalizada antes do final de seu mandato.

ISSO DAÍ: vício de linguagem do presidente da república Jair Bolsonaro. Usado a todo momento, particularmente ao final de frases mais longas, é equivalente ao “uai, sô”mineiro e ao “porra” carioca. Exemplo: “Tem que armar com fuzil o pessoal do campo. Pra vagabundo não vir querer tomar o gado, o trator deles. Isso daí.”

MÉDICO CUBANO: médico especializado em espionar nossa Pátria com o fito de realizar a revolução comunista. O plano de Raúl Castro seria usar esses Doutores do Marxismo Medicinal para transformar casas de saúde em casas de forró universitário ou em bases da KGB – dependendo da estratégia. O fim do contrato do Mais Médicos livrou o Brasil de se tornar um satélite soviético na América do Sul.

PARDAL: espécime abundante em beiras de estradas federais que corre o risco de ser rapidamente extinta.

PATERCRACIA: regime no qual o poder emana dos filhos de papai todo-poderoso.

PIB: Antônimo de monumental, largo, robusto, vasto, monstruoso, gigantesco, vultoso, enorme.

PEQUENININHO: adjetivo usado para referir-se ao membro viril de homens japoneses, mas que deveria se aplicar ao Produto Interno Bruto (PIB) do país.

REFORMA DA PREVIDÊNCIA: se passar, ninguém mais passa dos 70 anos no país.

RÊGO BARROS: porta-voz sem voz.

ROBÔ: ver seguidor, apoiador, manifestante verde-amarelo.

VÉIO DA HAVAN: personagem caricata ligada ao atual governo.  Apesar de ser conhecido como Dom Pedro I, parece seguir um caminho oposto ao do imperador que fez a independência do Brasil, plantando estátuas da liberdade anãs em suas lojas de quinquilharias coreanas e chinesas.

DICIONARO, O DICIONÁRIO DE BOLSO

Dicionário é uma obra que reúne as palavras de uma língua ou termos referentes a uma matéria específica, e descreve seu significado, uso, etimologia etc. Mal começou e o período bolsonarista – com suas intrigas, traições, defecções e defecações – já pede o seu.

Bem-vindo ao DICIONARO, o DICIONÁRIO DE BOLSO. Se o presidente e sua Corte chegarem ao fim do mandato teremos um verdadeiro Aurélio da barafunda para consulta.

ARTELHARIA: matéria que substituirá proximamente a cadeira de Educação Artística nas escolas da rede pública.

BOLSONARO, JAIR: capitão que queria ser general, acabou tornando-se presidente e não soube o que fazer com o cargo. Entregou o poder a um triunvirato formado por seus três filhos, Flávio, Eduardo e Carlos. É conhecido pelo linguajar tosco e por um guarda-roupa estranhíssimo.

CHINELO: elemento primordial na vestimenta presidencial. Os preferidos por Sua Excelência são os que deixam os dedões à mostra. Espera-se uma evolução para os Crocs a partir da segunda metade do seu mandato.

DE CARVALHO, OLAVO:  humorista idealista-metafísico.

DITADURA DE 1964: teoria da conspiração, criada pelo marxismo cultural, para fazer com que algumas pequenas blitze promovidas pelas Forças Armadas sejam vistas como um período de exceção em nossa pátria.

HITLER, ADOLF: conhecido comunista alemão que disseminou as ideias de Marx e Engels.

IBOPE: mais uma invenção da União Soviética.

ÍNDIO: índio.

JORNALIXO: material produzido por jornalixeiros que, segundo a atual administração, não coletam lixo, mas criam entulho, detrito, resíduo, raspas e sobras que não interessam.

MILICIANO: a terceira pessoa da Santíssima Trindade sendo as outras duas o presidente e seu primogênito.

ORDEM-UNIDA: nova pedagogia a ser implantada em todas as escolas de ensino fundamental, médio e superior. Ver “joelhaço”.

PETROBRAS: capital de giro do Poder Executivo.

TRANSTORNO DELIRANTE PERMANENTE PARANOIDE: grave epidemia que acometeu o governo e boa parte da população brasileira no ano de 2019. Não há cura.

TAURUS: a NASA brasileira.

TCHUTCHUCA: antônimo de tigrão.

TRUMP, DONALD: Comandante-em-chefe das Forças Armadas para o Atlântico Sul, Guantánamo e Brasil. Na qualidade de capitão, o presidente brasileiro é seu inferior hierárquico.

VÉLEZ, RICARDO: Teólogo colombiano que ficou encarregado de transformar os canibais brasileiros em índios civilizados. Foi substituído por um olavista de procedência nacional.