O dia das crianças está chegando e livro é sempre uma boa opção. Primeiro porque reúne as quatro características de um bom brinquedo para crianças. Segundo porque, ao contrário dos adultos, os pequenos ainda não desenvolveram ojeriza a leitura. E terceiro porque há boas opções de livros em diversas faixas de preços.

Mas nem todo livro infantil é um bom livro. Aqui está uma lista rápida de quatro tipos de livros que você deve evitar de dar para uma criança:

Livro-brinquedo

Onipresente nas banquinhas de livros em promoção, o livro-brinquedo parece uma excelente escolha. Muitos são baratos (comparados com brinquedos) e são muito bem aceitos pela criançada. Em geral, são do tipo que faz sons, tem quebra-cabeças, vem com brinquedinhos ou acessórios.

Mas não é uma boa ideia. O livro-brinquedo não é nem um bom livro, nem um bom brinquedo. As peças, brinquedos e acessórios que vêm junto com ele são, normalmente, de má qualidade.

Muitas das opções ferem a primeira regra de um bom brinquedo, que é aquele que permite múltiplos usos. Se o “livro” é daqueles que a criança aperta um botão e ouve um som, a ação dele é limitada a isso.

Já o livro digamos, comum, dá a criança maneiras diferentes dela interagir. Ele pode servir para o momento pai/mãe e filho, de contar a história. Pode ser usado para a criança reconhecer imagens e nomes, cores, formatos. A própria criança costuma ter bastante interesse em folhear o livro sozinha.

Além disso, quando o brinquedo é de apertar algo para ter uma reação, a ação é quase toda do brinquedo, não da criança. E um bom brinquedo é aquele cuja ação é de quem brinca.

Livro quebra-cabeça

Sim, um livro quebra-cabeça é também um livro-brinquedo. Mas vou falar especificamente dele aqui porque o problema com essa opção é mais de natureza de qualidade. Se você quer um quebra-cabeça, compre um. Capaz de pagar mais barato inclusive.

Para crianças na primeira infância, recomendo muito os que são de madeira, porque duram mais e são mais adequados a pessoinhas que ainda estão desenvolvendo a coordenação motora fina.

Mas você prefere um livro quebra-cabeça, né? Afinal é um livro E UM brinquedo. Dois presentes pelo preço de um. Mas deixa eu te contar o que vai acontecer com ele: primeiro, pelo menos uma das peças vai rasgar, porque esse negócio de querer que criança de até seis anos destaque peças de papel cartão não é lá uma boa ideia.

Depois, inevitavelmente, essas peças vão se espalhar por toda a casa e vão, claro, se perder, porque um livro é uma péssima opção de embalagem. E como o “livro” não tem nada de livro, sem as peças ele perde o sentido.

Livro de personagem

Ok, todo livro tem personagem. Sim, sim, sim. Mas to falando aqui dos personagens, sim, aqueles que estão na tevê e também em 9 entre dez brinquedos. Os cães da Patrulha Canina, a turma do Pocoyo, a Masha, a Peppa etc.

“Mas o meu filho AMA a Peppa”. Acredite, eu sei. Aqui em casa os meus amam também. Se é o caso, compre um boneco. Não um livro.

Com o boneco da Peppa teu filho ou filha vai poder assistir tevê com ele, botar pra dormir, dar papinha, carregar no colo. Pode viver outras histórias com ele.

Se é para escolher um livro, é legal diversificar aquilo que você oferece. Assim como é legal oferecer diferentes tipos de comida. E convenhamos, se teu filho AMA a Peppa, ele já deve ter fontes suficientes de Peppa em todo lugar.

(E é bem provável que todos seus amigos e parentes que não têm filhos acabem comprando livros de personagens pro teu filho).

Livros que ensinam uma “lição”

Olha que livro legal, ele ensina a criança a “compartilhar”, ensina o “certo e o errado”, a “amar a família”. Humm. A gente adora uma barganha, né? Imagina, pelo preço de um livro você ganhar um filho que não mente. Seria ótimo, mas não.

Toda história ensina. Usar histórias para ensinar é uma prática tão antiga quanto a humanidade. Mas livros que se vendem assim, em geral, são literatura ruim e ainda prometem algo que não podem cumprir.

Porque bons escritores sabem que uma história tem diferentes leituras e vão ser sempre resultado não só do que ele colocou no papel, mas do contexto do leitor. Em bom português, não é a história da Chapeuzinho que vai evitar que teu filho fale com estranhos.

Livros que ensinam “valores” acabam sendo mais voltados para o olhar adulto do que para a criança. Parece uma boa ideia, mas a chance de ser proselitismo barato é grande.

Agora que já falei o que não comprar, confira a lista de indicações de bons livros aqui:

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