Até o Manoel de Barros chorou no céu

Quando eu era capataz duma fazenda no Mato Grosso e bebia propanol com sangue de urutu no café da manhã, o pernilongo me picou, sentiu um nublamento na cabeça, ficou prostrado uma semana e meia com febre e inapetência, abrolhou deliragem, deu uma esquipatada no capilé, cafungou o aodedentro pelo lado mais fundo e então, de repente, sem qualquer aviso, murmurou o salmo 92, puxou um suspiro, arriou as patinha e desencarnou

Maurício Popija

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