Novidades na quarentena: ouça Juliana Cortes e Julio Borba

Como vão de quarentena? Não se esqueçam de se espreguiçar. De ouvir quem se preocupa com você. De tomar sol. Por estes dias meio estranhos que talvez nos ofereçam a nova normalidade, a música segue como aliada indispensável. E dois lançamentos recentes aqui da terrinha merecem sua atenção.

A cantora e compositora Juliana Cortes divulgou há poucos dias o single “Andorinhas”. Esta é a faixa escolhida para apresentar seu novo disco, “Álbum 3”, sucessor de “Invento” (2013) e do ótimo “Gris” (2016). A canção é um poema musicado, escrito por João Ortácio e Guilherme Becker.

O músico e produtor Ian Ramil assina a produção do álbum, e assim dá início à parceria com Juliana, que havia trabalhado com seu pai, Vitor Ramil, em seus dois discos anteriores. Juliana explica que o single “representa uma fusão de linguagens minimalistas”. O arranjo foi criado de forma coletiva, e o resultado é uma interpretação experimental, com vocal em registrado em três oitavas diferentes. “Registramos sensações e impressões daquele instante em conjunto, no estúdio. Da escuta, criou-se as camadas da rabeca e banjo que costuram toda a música. ‘Andorinhas’ é uma faixa em que estão presentes todos os elementos do disco, especialmente na forma mais direta do meu canto. Além disso, a canção traz uma poesia singela que insiste em existir na dureza de uma cidade com suas tantas delicadezas”, explica Juliana.

O terceiro álbum da artista é resultado de um processo de imersão que reuniu compositores e poetas de duas capitais sulistas brasileiras: Curitiba e Porto Alegre. Buscando novas manifestações, interferências e experiências, Juliana Cortes convidou artistas dispostos a pensar e questionar as relações estético-culturais das suas cidades e de suas próprias produções para a criação de uma obra completa. De Curitiba, Estrela Leminski, Rodrigo Lemos e Juliana Cortes. De Porto Alegre, Ian Ramil, Guilherme Ceron, Zelito Ramos e Guilherme Becker. Em conjunto, após quatro dias de residência artística em Curitiba, 9 obras inéditas foram compostas para o registro do disco.

Ouça o single “Andorinhas”:

Outro lançamento importante e inspirador por esses dias é “Entroncamento”, primeiro disco do violonista Julio Borba, mais nova empreitada do selo Onça Discos. Nascido no Mato Grosso do Sul, Julio radicou-se em Curitiba a fim de pesquisar a música instrumental de seu estado natal, com foco no chamamé, gênero regional que tem como principais referências os acordeonistas Zé Correa e Dino Rocha.

Julio já tocou com Rosa Passos, Lula Galvão e João Egashira e fez um show memorável no Curitiba Jazz Festival de 2018. “Entroncamento” tem direção musical de Santiago Beis, e um trio de instrumentistas igualmente afiados: além de Julio no violão 7 cordas, há Pedro Mila na bateria e Leonardo Lopes no contrabaixo acústico elétrico.

Com 10 faixas, o álbum é um chamamento: à contemplação, à essência das coisas, ao pé no chão. Sonoridades bucólicas e cosmopolitas se confundem justamente no encontro dos músicos no chamamé, gênero naturalmente cativante.

Ouça o álbum “Entroncamento”:

Cristiano Castilho

Cristiano Castilho é jornalista formado pela UFPR e pós-graduado em Jornalismo Literário pela ABJL. É autor do livro "Crônicas da Cidade Inventada e Outras Pequenas Histórias" (Arte & Letra).

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