Fornicatio Gramaticalis – As Línguas Não Têm Freios

Em Pato Branco, batida de carro era peixada

Assim:

— Ficou sabendo da peixada na Avenida Tupi?
O cara do fuque tá internado na Policlínica, fudidão, enquanto o do chevette só fez um cortinho de nada na paleta e já tá em casa


Peixes, todo mundo sabe, são exímios motoristas
Jamais na história dos cursos d’água dois deles colidiram
Aquilo, portanto, não fazia sentido e me deixava muito muito encafifado
Tão encafifado que resolvi tornar o assunto meu objeto de estudo
E fiz mestrado na Faculdade de Zootecnia de Santo Amaro da Purificação
Onde, afinal, aprendi que não era peixada
E, sim, pechada (de pecho, em español):
Os carros tinham dado uma pechada um no outro


Ser analfabeto é conhecer as palavras só de ouvido

Maurício Popija

Um comentário em “Fornicatio Gramaticalis – As Línguas Não Têm Freios

  1. “Ser analfabeto é conhecer as palavras só de ouvido” é uma definição perfeita.
    Lapidar. Nunca se pensa nisso, mas a verdade é que nós, os que lemos, conhecemos as palavras de ouvido, mas também de vista. É tão óbvio, mas nunca o tinha visto dito por ninguém. Grande linguista se perdeu, Maurício!

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