Breve Tratado de Cafunologia

Na condição de principal cafunólogo em atividade no país, creio que seja minha OBRIGAÇÃO prestar alguns esclarecimentos: embora as pessoas associem o termo cafuné à operação exercida na cabeça alheia – e essa seja, de fato, a modalidade padrão -, é necessário mencionar também a existência do auto-cafuné – não tão satisfatório, claro, mas às vezes, para os foreveralones e para os fissurados em geral, uma alternativa, em especial durante tempos de pandemia e grandes pestes como este em que vivemos. Mais do que isso, ênfase seja dada ao fato de que o terreno a ser explorado vai muito além da abóbada craniana, é todo o corpo – inclusive, eventualmente, a parte de dentro (sobre isso ver documentos anexados ao final).
O bom cafuné deve sempre ser realizado com as unhas e nunca com a polpa dos dedos, pois isso pode danificar as impressões digitais e dar problemas com a polícia.
As unhas devem ultrapassar em um centímetro a extremidade do quirodáctilo, ter o formato ogival e ser pintadas na cor vermelho-puta-da-augusta (para homens, um tom vermelho um pouco mais sóbrio cai melhor).
Finalmente, uma palavrinha sobre a hierarquia dos cafunés: só os muito ignorantes e sem-cultivo pensam que todos são iguais, há um amplo espectro de sensações derivadas da dermato-estimulação onicogênica. Há sítios muito sensíveis, como a fossa poplítea, e sítios quase insensíveis, como o maléolo lateral.
Vão aí, em ordem decrescente de prazer, as cinco modalidades reconhecidas pela edição 2019 do vade-mecum da Sociedade Internacional dos Cafunófilos (SIC):

  1. Cafuné no dorso
  2. Cafuné no buraco do quipá
  3. Cafuné na fossa cubital e na face flexora do antebraço
  4. Cafuné no abdome
  5. Cafuné na hélix e contra-hélix

Maurício Popija

Um comentário em “Breve Tratado de Cafunologia

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Voltar ao topo