A polêmica do primeiro omnibus brasileiro

No dicionário da Universidade de Cambridge, a palavra “omnibus” siginfica vários livros que foram publicados separadamente, aglutinando em uma edição única. É essa a proposta de obras maiores, publicadas pelo mundo afora sempre em edições parrudas, geralmente nos quadrinhos. A maioria passa até das mil páginas, em um trabalho gráfico gigantesco.

Após ser tido como a joia de ouro de muitos colecionadores brasileiros, o primeiro omnibus, verdadeiramente, chegou ao país. Algumas edições próximas já haviam sido publicadas no Brasil, como o caso recente do “Hellboy”, pela editora Myhtos. No entanto, na ideia clássica de um estilo já internacional, é a primeira. E veio logo com o personagem “Conan”, um dos mais amados por muitos fãs nacionalmente. Aliás, ele já estava em voga recentemente, com até o lançamento – pela primeira vez – dos livros e contos por completo, pela editora Pipoca e Nanquim.

E foi os próprios editores do Pipoca, que possuem um canal no youtube de mesmo nome, que realizaram a primeira “denúncia” sobre a polêmica no universo dos quadrinhos nacionais da semana. E ela foi o fato do primeiro volume de “Conan” vir com, simplesmente, 66 páginas em inglês, sem nenhum tipo de tradução. Em um livro que chega a quase 800 páginas, isso representa próximo de 10% da obra em si, que não teve o trabalho da tradução. E o problema é estarmos falando de um material de luxo, voltado para o público brasileiro e ainda sob o preço de capa de R$249. É importante ressaltar, entretanto, que não se trata de não traduções sobre os quadrinhos em si, mas sim de extras, como roteiros e mais.

A resposta da editora Panini, responsável pelo livro, não poderia ser pior também. Se defendendo em questionamentos bem separados, algumas das ideias defendidas foram como “saiu assim na Itália”, “foi uma decisão editoial própria”, “não houve reclamações em outros países”. Ou seja, ao fim, não atacou verdadeiramente o problema de cogitar uma publicação assim por nossas bandas. Entendo que é um produto de luxo, e que, provavelmente, grande parte dos leitores até nem leria esse material. Porém, é imprescindível que essa tradução ocorra, para trazer tudo de mais completo ao público nacional.

A Panini ainda promete outras duas publicações em formato de omnibus até o fim do ano: “Quarteto Fantástico” e “Miracleman”. É de fato muito importante, interessante e até bastante arriscado esse tipo de publicação, que serve bastante a um nicho de leitores e nem tanto para uma massa ávida pelo consumo. Mesmo assim, esse cuidado editorial precisa existir. Não estamos falando de países que boa parte da população fala e ouve em inglês bem, mas de narrativas próprias para um mercado que ganhou força nos últimos anos. Não a toa, o vídeo do Pipoca e Nanquim trouxe uma enxurrada de comentários de leitores que queriam comprar o omnibus – inclusive esse que vos escreve -, mas desistiu.

O planejamento para obras nesse sentido não pode ser em curto prazo, mas precisa ser em médio, longo. Vivemos em um momento de ebulição no mercado de HQs, algo em especial trazido pelas lojas especializadas, canais no youtube e ate o fenômeno da amazon. Não ouvir o que esse público leitor que se formou requisita e não trazer o melhor possível (até porque são exigentes no tipo de material), talvez não seja o melhor caminho a se seguir.

Claudio Gabriel

Apaixonado por cultura pop no geral. Repórter da rádio CBN e editor-chefe do site Senta Aí.

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